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Resenha: Shangri La - Jake Bugg

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Bob Dylan renasceu em 2010 com o nome de Jake Bugg e 19 anos: garoto prodígio, vem conquistando espaço com solenidade e música boa. A voz é inconfundível e marca registrada desde o primeiro álbum, onde esse carinha apresentou clássicos da era moderna como "Two Fingers", "Lightining Bolt", "Taste it" e outros. Bora ver a nova travessura de Jake? Bem-vindos à Shangri La!

Shangri La é o segundo disco de Jake Bugg. Ainda na linha do indie rock, o inglês cheio de marra mostra por que é uma estrela em ascensão: seu interesse pela música começou nada mais, nada menos que após um episódio dos Simpsons com a canção “Vincent (Starry, Starry Night)”, de Don McLean. As influências de Bugg são inúmeras que ficam claras na sua composição. Podemos lembrar muito de Oasis, The Beatles, Johnny Cash e até mesmo de Jimmy Hendrix. Por mais que Jake negue, acredito que sua maior influência venha de Bob Dylan. É perceptível nas letras, estrutura e na voz.



Shangri La é o nome de uma cidade fictícia do romance Horizonte Perdido, de James Hilton. Lugar místico, a palavra significa uma espécie de utopia e mistérios do oriente. Mas de exotismo oriental, o álbum só tem a potência. "There's a Beast and We All Feed It" abre Shangri La com decência e coesão. Animada, a letra é um convite para saborear o disco sem preocupação técnica (“They grin', but they don’t mean it. They sing, but they don’t feel it. They come, but they don’t see it. They can call, but they don’t heed it. Think, but they don’t speak it. There’s a beast eating every bit of beauty and they all feed it…”). 





“Slumville Sunrise” é a faixa mais potente, uma favorita que tenho certeza que foi a escolha certa para ter se tornado single. Com letra do próprio Bugg, é contagiante e positiva.





“What Doesn’t Kill You” (não tem “make you stronger...”) segue a rebeldia do CD sem medo de apostar no vocal agudo e sua vontade de cantar aumentando a voz com o ritmo. A polêmica dessa faixa é que os caras do Arctic Monkeys acusaram Jake de plagiar os solos de guitarra da música “Nettles”. Será? Tirem suas conclusões. O vídeo ficou bem legal também.

“Me and You” traz a vibe Shangri La numa canção mais otimista e alegre. É uma das faixas bonitinhas, vale ouvir num encontro. “Messed Up Kids” ainda é rebelde, outra faixa otimista, menos potente, mas sem deixar de envolver. Creio que ao vivo vai ficar maravilhosa (topo um show do Jake pra ontem, got it?).



Como todo jovem sonhador, vem o tema amoroso em “A Song About Love”, canção para celebrar o amor ao modo de Jake: adolescente, fofinho, sem deixar o vozeirão de lado, afinal “there's no song without love”. Lentinha mas muito boa, um bom rock. “All Your Reasons” segue o ritmo menos acelerado, mas com cara de faixa de gente grande. 

A eficiência rebelde e masculina volta em “Kingpin”. Essa faixa é tão divertida que não se assuste se você se pegar cantando por ai imitando a voz de Jake. As ansiedades e o medo retornam em “Kitchen Table”, onde o futuro incerto que sempre nos acompanha é retratado com fidelidade (“Out from the darkness your heartlessness haunts my future”). 







“Pine Trees” vem falar da natureza, com as raízes de Jake presentes em memórias que aqui se encontram. O melhor choro do CD inteiro vem em “Simple Pleasures”. É realmente bacana acompanhar um cantor jovem como nós em ascensão com responsabilidade e foco musical. Essa música mostra o porquê: Jake se arrisca sem medo das influências e da própria voz, se solta, se entrega. Isso é demais? Totally.  Dá até tristeza quando o álbum termina com a simpática “Storm Passes Away”, sobre idades e do que as pessoas dizem (“They keep telling me I'm older than I'm supposed to be”).


NOTA FINAL: O menino prodígio está de volta! Espero que Jake não tenha o mesmo destino que estrelas pop masculinas a la Justin Bieber, e siga no caminho indie, do rock, tanto faz, mas continue fiel a si mesmo. O cara saiu da zona de conforto em Shangri La — com músicas bem preparadas, menos “caseiras” — e mesmo assim ficou muito bom. Como história de um garoto que sai de casa pra buscar o que realmente quer, é exatamente esse tipo de inspiração que tantos garotos (e garotas) perdidos, como eu e você, precisamos.

Nos vemos num show do Bugg?




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