Carregando...



Um Cappuccino Vermelho, de Joel G. Gomes | LIVRO GRATUITO

cappuccino+vermelho

Tenho fetiche insano por produções independentes, gente que mete a cara e pratica o faça você mesmo. Na literatura "indie", estamos sujeitos a cruzar com muitas histórias fracas ou com enredos de grande potencial, mas que não brilham por falta de técnica. Baixado gratuitamente pela Amazon, Um Cappuccino Vermelho é a realidade que autores incríveis estão escondidos por aí, nos cantos do mundo.


prós +crimes  +narrativa  claríssima  +protagonista peculiar  +metalinguística  +café  +suspense 


sinopse Dois autores em mundos distintos. Duas histórias que se tornam realidades. As pessoas que conhecem Ricardo Neves dividem-se em dois grupos: os que o conhecem como autor de policiais e os que o conhecem como assassino profissional. Ricardo sempre cuidou para que estas duas facetas da sua vida não misturassem. Tudo se complica quando recebe uma lista de alvos demasiado próximos do seu mundo de escritor. A colisão torna-se inevitável e Ricardo não tem como a impedir. João Martins é um escritor com prazos para cumprir e sem ideias para desenvolver. Até que tem a ideia de escrever sobre um escritor que é também assassino profissional. A surpresa acontece quando pessoas à sua volta começam a morrer tal e qual ele descreve no seu livro. A dúvida surge de imediato: estarão as mortes a acontecer porque ele as escreve ou será ele um mero narrador de eventos predestinados a acontecer?




resenha Ao ler a sinopse na Amazon, juro que não esperei que o livro pudesse ganhar tantos contrastes positivos. O autor português Joel G. Gomes, tem técnica de narrativa objetiva e clara, incentivando o nascimento de imagens mentais em cada pedaço da obra. Isso torna a experiência de visualização bem orgânica, onde não é preciso se esforçar para entender os parágrafos — sempre muito limpos — ou as poucas diferenças entre o português brasileiro e "original". 

Ricardo Neves é o assassino profissional e escritor que vive essas vidas paralelamente, sempre com cuidado. A montagem de seu caráter psicológico é, também, muito interessante, especialmente por seu vício em café. As descrições sobre suas peculiaridades são deliciosas! Seus objetivos, sua filosofia de vida, tudo tem explicação bem fundamentada e sem rodeios, onde ações falam na mesma altura que as descrições dadas pelo autor. 

Mas é quando João entra na história e muda tudo a partir do capítulo 6, inserindo a ideia de que ele é quem está escrevendo a série de mortes que o assassino está cometendo — e as mudanças de personalidade das pessoas ao seu redor. Pra resumo, ele acaba inserindo um livro dentro do próprio livro. Parece confuso? Cara, não é. Não é mesmo. Como falei, o autor tem preocupação real em deixar as coisas claras sem se tornar repetitivo. Porém, acredite em mim, esse ainda não é o trunfo maior da história.

Mais pro final, a dúvida sobre essa "capacidade" de João descrever assassinatos antes de eles acontecerem exatamente como projetou, se mistura ao "Às" do livro, uma reviravolta curiosíssima logo após o capítulo mais eletrizante pra mim: o epílogo, o fim. Mesmo o capítulo 14 tem tomadas interessante que poderia ter caído no comum, mas que se destacam pela vontade de manter a conduta das personagens, o que me agrada bastante como leitor e, paralelamente, escritor.

Ótimo livro sobre comportamento humano, incluindo rotina, homicídios, manipulação e sociedade com suas perspectivas mais diversas (e insanas). É motivador ver uma obra tão legal de graça dando sopa por aí. Merece todo destaque, admiração e divulgação possíveis. Aproveita pra baixar enquanto não custa nada, heim!







FacebookYoutubeTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos