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Me apaixonei pelo loser do grupo

perdedor

Ninguém elogia as roupas. Selfies no Facebook despertam vergonha. O nome nunca é lembrado na hora de montar a lista de convidados. Se tem coragem de aparecer na social, não fala com ninguém. É tida como a pessoa mais estranha, repugnante e, quase sempre, mais feia do grupo. Conheça o perdedor por qual você se apaixonou. E entenda que sapos podem virar príncipes.

A vida prega peças em todo mundo, sem exceções. Às vezes a gente acha que conhece alguém por anos e tomamos uma facada inesperada. Ou, num cenário mais fofo, descobrimos num colega renegado o namorado ou namorada perfeitos. Não sabemos explicar o que mudou, se é a quantidade injetada de carência falando alto ou mudança na maneira de interpretar nossas necessidades sentimentais, mas aconteceu. Nos apaixonamos por quem jamais imaginamos.


Imagem: cvltnation.com

No começo, a autorreprovação nos impede de admitir, dizendo que estamos solitários demais, que é falta de vitaminas no cérebro ou qualquer outro problema que tente negar a lógica para uma guinada tão inesperada no campo amoroso. Depois vem a análise, quando convidamos o Shrek/Fiona e nos estudamos com ele/ela, o porquê de estarmos sentindo aquilo. Sentimos nojo, nos xingamos mais uma vez entre centenas, nos perguntando o que vimos naquela criatura.

Como alguém que não malha, que tem atitudes de criança idiota ou de completa introspecção, que não se veste bem e que fala inglês tão errado, pôde capturar nosso carinho dessa forma? Será que é porque nos escuta sem julgar? Porque demonstra que somos importantes, ao contrário do saradinho que nem se dá o trabalho de fingir que poderia sentir nossa falta caso desaparecêssemos? Ou é "química", a quintessência incompreendida das relações humanas?


Imagem: alfredoneedstogetlaid.blogspot.com

Merda, a gente não sabe mesmo. Mas sente vontade de jogar conversa fora madrugada adentro, de causar contatos, de chegar perto, de beijar. Que bom que isso acontece! Significa que cansamos de engolir o arquétipo chato que nos faz comprar revistas de R$ 11,90 que nos ensina a entalhar tanquinhos e faz com que nos odiemos por ainda não termos perdido os treze quilos extras de gordura. Significa que a gente começou a se importar com quem somos.

Isso ricocheteia em como aceitamos o outro pelo que é, pelo bem que nos faz acima da imagem que representa pra uma sociedade que vive boiando no raso, sem mergulhar, sem nadar. Não importa se perguntarão o que estamos fazendo com Shrek/Fiona nas fotos apaixonadas na Linha do Tempo. É o que vivemos que vale. O bonito no outro é reflexo direto da nossa aparência por dentro: se podre, todo mundo é horrível. Se agradável, todo mundo é humano.


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