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Namoros que não começam, mas nunca terminam

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O amor que sentia por meu namorado era diferente do que apurava pelo menino que me apaixonei aos 15 anos, co-autor das cansativas histórias de "vais e vens" que não se firmavam como compromisso sério, mas nunca acabavam de verdade, esperando seis ou sete meses até nos encontrarmos de novo e revivermos o drama mexicano. Já aconteceu contigo?

Sabe o quanto sou reflexivo, né? Penso no dia em que ele casar, entrar num compromisso mais imponente que o de namoro, nas dúvidas que vão surgir na minha cabeça: por que não funcionamos? Será que hoje conseguiríamos? Por que mesmo gostando tanto dele preferia outras pessoas? Por que nossa incompatibilidade falou sempre mais alto? Culpa de rotinas opostas? Muita independência?


Imagem: flickr.com/photos/shawnhoke

Não que brigássemos. Apenas não nos queríamos depois de um tempo. Mas era certo, quando batia solidão, quando ele dizia que ia trazer vinho, já sabia que tentaria me beijar. Até que no último encontro neguei o beijo. Tô naquela fase onde nem consigo imaginar relacionamentos, mas com ele nunca pude segurar. Tanto que me sentia humilhado, uma boneca inflável sem tirar a cueca.

Também nunca foi mal-intencionado. Eu e ele sofremos porque pisamos na bola, derrapamos em algumas curvas, mas nossa harmonia era notável. Todos os amigos apoiavam e torciam para que um relacionamento consagrado saísse dessa confusão, mas nunca houve. Chegou a me pedir em namoro, mas sabe quando você tem mais vontade de dizer "não" do que "sim"? Por outro lado, era só ele sorrir que eu derretia.


Imagem: flickr.com/photos/mat4226

Casos como esse também podem ocorrer de forma violenta, com dependência psicológica de um parceiro inalcançável, ou por questões estritamente sexuais, aquela pessoa por qual sua paixão deveria ser proibida por lei. Você jura nunca mais soltar o cinto, mas quando percebe, tá tomando café da manhã juntinho. Mas na hora de classificar o que vocês têm, fica o impasse. Precisa de rótulo, afinal?

Depois de alguns anos, nos intitulamos fuck buddies, amigos que se pegam ocasionalmente. Como não rolava nada mais sexual do que beijinho num contexto romântico, resolvi nos chamar de cuddle buddies, os que compartilham cafunés e conchinhas. Parece agora que o romance chegou ao fim, mas o sentimento de que sempre seremos isso ficou. Só sei que quando me apresentar o marido (ou esposa), vou me fazer todas aquelas perguntas malucas antes de desejar um sincero "sejam felizes, vocês merecem".


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