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Resenha: Temples - Sun Structures

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Dizem as más línguas que 2013 foi um ano fraco para a música britânica. Dominada pelo One Direction, meio que a terra da Rainha ficou em falta com novas bandas alternativas que dominassem as playlists. Eis que no começo desse ano surge o álbum de estreia do Temples, a banda de Kettering, Reino Unido, que apresenta com toda energia o álbum Sun Structures.

Temples é formado por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (tecladista e guitarrista). O visual alternativo do quarteto é jovial com couro, skinny e cabelos lisões a la Beatles. A banda começou em 2012 como um pequeno projeto de Bagshaw e Thomas, que ao produzirem algumas faixas no YouTube, conseguiram contrato com a Heavenly Records. O primeiro single, "Shelter Song", abre o álbum de estreia aclamado pelo Noel Gallagher, do Oasis. De acordo com James Edward, as influências das letras e estilo vêm dos Beatles e Rolling Stones.





Essas referências ficam claríssimas na primeira faixa de Sun Structure, "nunca esperamos que a resposta dessa música seria tão selvagem e animal!", nas palavras de Bagshaw, cujo vocal contribui para esse sentimento de nostalgia.Vitaminado com rock rico e psicodélico dos anos 60/70, "Shelter Song" é um convite para viagem no tempo, do passado ao presente. De acordo com Tom, "essa música foi feita sem cálculo ou preocupação". Parece que é assim que se criam boas músicas.

De tímido, o álbum não tem nada. Isso é constatado na faixa homônima "Sun Structure", com gosto de estrada, onde o baixo e a guitarra seguem fazendo o bom trabalho de apresentar o quarteto com classe. Pra quem curte referências meio Game of Thrones, temos a deliciosa "The Golden Throne".





"Keep in the Dark" é um dos singles da banda (junto com "Jewel of Mine Eye", que infelizmente não aparece no disco), faixa que eu poderia facilmente marcar como a "essência do rock do Reino Unido que um dia se perdeu". O inicio com a bateria é muito bom e só vai melhorando. A impressão que tenho quando escuto é a de que Temples está na área há muito mais do que um ano e pouco. Talvez seja a experiência que Bagshaw e Thomas Edison trazem de bandas como The Moon e Sukies.

"Mesmerise" é agitada, um verdadeiro som dos anos 60 trazido com tecnologia e mais jovialidade para 2014. Falando em estações e mudanças, temos "Move with the Seasons", que traz uma composição maravilhosa de órgão (isso mesmo!) e guitarra. É a mais calma do álbum.





A sétima faixa "Colours to Life" prova que o forte em composição e energia do Temples é uma das melhores novidades do ano. A letra é bem escrita e cantada com vários efeitos. O clipe é uma volta aos anos 70/80, com certeza irão concordar. "A Question Isn't Answered" começa com palmas e o vocal de Bagshaw, é outra faixa bem montada que não traz muita novidade, apenas segue o bom curso do álbum. Se as perguntas não são respondidas, temos o adivinho em "The Guesser", otimista e alegre na estrutura dos instrumentos. Corre risco de ficar no imaginário por horas.

Em "Test of Time" prevejo um single que pode se dar bem nas paradas. Aliás, esse é o problema que o Temples  enfrenta que o próprio Noel já avistou — a banda vem recebendo pouquíssima repercussão nas rádios inglesas. E a viagem pelo tempo continua em "Sand Dance", outra faixa ótima que lembra uma referência Pink Floyd do começo. E eis que Sun Structures fecha com "Fragment's Light", fim de festa que, pasmem, só tem um minuto! Como se desse fim a agitação toda e fosse hora de dormir com uma doce melodia.

NOTA FINAL: Acredito que The 1975, Tame Impala e outros, foram boas coisas de 2013, e nada mais justo que deixar uma banda nova entrar na lista. Os caras se esforçam pra fazer um bom som, mas podem ficar um pouco piegas nas referências aos Beatles (lembrei muito de "Penny Lane"). Tem algo dos Beach Boys também. Infelizmente, deveriam ter incluido "Jewel Of Mine Eye", "Prism" e "Ankh", mas quem sabe numa próxima?




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