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Resenha: Young the Giant - Mind Over Matter

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Em 2004, Irvine, California, viu nascer o The Jakes que em 2009 se tornou o Young the Giant, liderados por Sameer Gadhia, Jacob Tilley, Eric Cannata, Payam Doostzadeh e François Comtois. Juntos, formam uma das bandas mais referenciais do rock alternativo. A expectativa é grande: Mind Over Matter, o novo álbum, vai manter o high profile da banda americana? Vem checar com a gente!

Em 2010, o Young the Giant lançou o primeiro álbum, autointitulado. A estreia dos caras foi mais que satisfatória para a gravadora Roadrunner, primeiro porque o single "Cough Syrup" alcançou o 3º lugar na parada alternativa da Billboard (na principal, chegou ao 95º, nada mal para uma estreante). Mesmo sendo apontados como seguidores das influências do Kings of Leon e Coldplay, o quinteto de Irvine seguiu com mais singles que foram top 30 das paradas alternativas e acabaram conquistando um espaço sólido. A determinação de Sameer foi notada pelo crítico Morrissey, conhecido por atacar diversos artistas iniciantes. O cara relatou que a voz de Sameer é "inquebrável". Concordo.


Eis que a chance de conquistar mais espaço chegou em Mind Over Matter (Fueled by Ramen, 2014), quatro anos depois do primeiro CD. Toda composição está de volta: o veterano Sameer no vocal, os guitarristas Jacob Tilley e Eric Cannata, Payam Doostzadeh (taí um nome curioso) no baixo e François Comtois na bateria. A impressão que Young the Giant passa é de que têm os ingredientes (e a receita) certos para fazer um bom rock. 

A introdução de 47 segundos, "Slow Dive" é tão baixinha que soa quase imperceptível se não fossem os últimos dois segundos. Ela abre caminho para "Anagram", um ótimo começo, com uma letra marcada e batida composta. Eles já apresentaram essa música no Outside Lands do ano passado, onde foram comparados ao Vampire Weekend. Não sei com vocês, mas uma banda ganha pontos comigo quando a versão ao vivo soa praticamente igual (ou até melhor) que a versão de estúdio. Então nessa, não adianta, os caras arrebentam.





"It's About Time" é o single chefe de Mind Over Matter, lançado em outubro de 2013, é uma faixa agressiva e atual, a letra fala de manifestações sociais e as guitarras soam maçantes (nada novo), mas a pegada eletrônica faz com que seja uma música agradável para quem curte rock jovial. Young the Giant apresenta a vontade de crescer e expressar um novo trabalho, é a fase da transformação (tomara que positiva). E já era hora. O clipe você confere acima.





"Crystallized" já ganhou clipe e é o segundo single do álbum. O "aaau" no inicio da música soa como Michael Jackson. A própria voz de Sameer soa lírica e sonhadora (e até melosa), "When the beat of my drum meets the beat of your heart / You know I couldn’t love any other". O clipe saiu do forno há pouco tempo, dirigido por Elliot Sellers. "O que aprendemos com esse álbum foi a seguir o subconsciente", disse François. Talvez tantas faixas lembrem mitologias como "Eros" ou sonhos e estrelas como a própria "Crystallized" e "Day Dreamer".





A composição lírica fica bem mais afiada em "Mind Over Matter", sugerindo a importância de pensar. Tema de alguém na casa dos 20, apaixonado. De acordo com Gadhia, é mistura de Radiohead com D'Angelo (google it!) e para quem ouve, vai ter impressão de que fala sobre a batalha constante que temos com nós mesmos. "Day Dreamer" segue agitada. É muito bom quando Sameer potencializa a voz e sai do celestial de "Crystallized", para acompanhar o Eric Cannata. Essa música lembrou (muito até) Brendon Urie, do Panic! At The Disco. "Firelight" é mais lentinha, clima de balada, mas com toques místicos. Realmente esse álbum arrisca uma pegada étnica. A balada segue em "Camera", que tem um clima fúnebre no primeiro minuto e depois vai compondo pra letra mais agitada e com o ritmo alternado, boa mixagem.


O disco segue agitadíssimo em "In My Home" e positivo em "Eros", com o melhor refrão do CD, grudou na playlist. Me surpreendi com "Teachers", primeiro com o nome da música e a letra, segundo porque senti diferença no vocal de Sameer, que aqui nada lembra o Brendon (ainda bem!). Mind Over Matter fecha o ótimo trabalho com "Waves", que segue sem grave e menos potente, ritmo que nos leva ao inicio "Paralysis", que pra fechar o disco com a cara da banda, volta ao ânimo, com o bom indie vitaminado.

NOTA FINAL: Young the Giant volta com vontade de reinventar. O único porém é que dificilmente passam despercebidos nas comparações, porque soa como se já tivéssemos ouvido as faixas na voz de outras bandas. Talvez o problema seja o excesso de referências que o publico já tem. Três anos depois do primeiro álbum, trabalharam duro, o conteúdo é demais, e a imagem da banda é melhor ainda, uma vitalidade a mil (procure vê-los ao vivo no YouTube e vai entender). É por essas e outras que a gente curte Young the Giant.



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