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Pornô é tabu?

porno+tabu

Apesar de meus amigos e eu conversarmos abertamente sobre filmes pornográficos, abrir a boca pra falar disso com amigas precisa ser medido por milímetros: até falam, mas sempre se defendendo. "Coloquei no canal sem querer", poucas admitem o "estava curiosa/excitada e queria brincar um pouco com a imaginação". Afinal, que mal tem assistir gente fingir que tá transando? É filme!

Nem quando eu era mais novo pornô chamava minha atenção, pois era exagerado e eu era pouco sexual. Mas a curiosidade cantou e xVideos virou o Youtube das noites de segunda entre os amiguinhos que queriam fugir das encenações mecânicas. Procurando por amateur (inglês para "amador") + estilo de sexo desejado (bareback = sem camisinha; mature = coroas; cumshot = ejaculação etc). Todo mundo sabia que todo mundo se masturbava assistindo pornozinho.


Imagem: flickr.com/photos/jadeberry

Mas quando a conversa enveredava por esse caminho, podávamos nossas verdades. Falar de bareback, por exemplo, era proibido. Mesmo que todos assistissem as excitantes cenas sem camisinha, diriam ser sujo e perigoso pelo cinismo de não separarem o "cinema" da vida real. Não é porque assisto Thor que vou pegar um martelo pra bater no meu irmão. 

A questão é que pornô mexe com o imaginário, então os fetiches podem ser parcialmente praticados sem os riscos reais (como sem camisinha) ou sem o medo do julgamento/exposição. Só que os próprios filmes pornôs se tornaram fetiches e, consequentemente, mais difíceis de serem admitidos como tal, especialmente entre meninas, que mentem para os outros (e si mesmas) sobre a verdade: apesar de parecer escroto, pornô é parte importante no desenvolvimento de quase todos os jovens.


Imagem: flickr.com/photos/krugx

É lá que aprendemos que tem que enfiar e tirar, aprendemos como não gemer, o que não falar (ou falar) e que se chamar um encanador estando sozinho em casa, vai dar beyblade. Isso é porque tô olhando pelo lado positivo. No negativo, há o excesso de sexualização, afeta a autoestima ("queria peitos desse tamanho", "queria ser sarado") e pode traumatizar ("minha primeira vez vai ser nojenta assim?!"). 

A prova real pra mostrar que pornô é assistido por quase todo mundo no escuro de seus quartos, mas que geral nega na hora do vamos ver, é fugir desse assunto na presença de adultos, especialmente os pais . Dá vergonha falar de tudo com os pais, imagina pornô, que é "errado"! Se com os amigos fica difícil e com os velhos impossível, pornô continuará sendo um esqueleto no armário. Ninguém é obrigado a saber de sua vida sexual, mas ter de mentir ou se sentir envergonhado por isso também não é legal.


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