Carregando...



Resenha: Bombay Bicycle Club - So Long, See You Tomorrow

Leia mais resenhas

Bombay Bicycle Club acabou de tirar do forno o So Long, See You Tomorrow, álbum lançado pela Island no último dia 3. Desde I Had the Blues But I Shook Them Loose, de 2009, os caras são nomes de peso no cenário musical britânico e, desde então, conquistam mais e mais fãs com o som rock/folk. E estão com tudo!

Quando os britânicos Jack Steadman, Jamie MacColl, Suren Saram e Ed Nash (além da membro honorária Lucy Rose) se conheceram, talvez não rolava ideia de que seriam referência de música na era atual. O nome Bombay Bicycle Club surgiu de uma cadeia de restaurantes indianos na Inglaterra e fez sucesso em 2007 quando lançou o EP The Boy I Used to Be. Anos depois, tirariam o prêmio de melhor banda do NME Awards, vencendo La Roux e The xx.

Em 2014, após notados nas paradas inglesas com os álbuns Flaws (2010) e A Different Kind of Fix (2011), e até emplacando uma música na trilha sonora de Crepúsculo, o BBC retorna com maturidade. O resultado se vê em So Long, See You Tomorrow.



Não há nada de inédito nos vocais de Steadman, a guitarra dele e Jamie também continuam impecáveis. Suren ainda na bateria e Ed no baixo. Então qual o segredo?  Aposto que é a dedicação. Steadman compôs todas as 10 letras e os caras trabalharam duro para apresentar algo coeso e digno de estar (e continuar) na playlist de quem não dispensa uma boa dose de música.

"Overdone" é uma introdução satisfatória: a bateria é apaixonante, a letra dá impressão de inicio de festa. A proposta do BBC é nunca apresentar o mesmo, inovar é a chave da banda e existe tanta mistura nessa faixa que é impossível não amar. "Its Alright Now" confirma: quem procura rock, vai encontrar uma mistura levemente eletrônica nesse disco. Essa faixa se encaixaria num musical cinematográfico ("It's alright now, I don't wanna wait..." repete várias vezes).





O single eletrônico (sério, parece que Steadman fuçou a eletrônica e se animou em trazer) "Carry Me" chega com potência, soa um pouco agressivo no refrão (que repete como na faixa anterior). Com vocais de Lucy Rose, em contraste à de Steadman. O vídeo já circula no YouTube há algum tempo.

"Home By Now" também tem os vocais de Lucy, que combinou perfeitamente. É uma faixa otimista e alegrinha (não agitada), que pode ser ouvida ao nascer do Sol, quando você está saindo para qualquer. O piano acompanha de maneira exímia. "Whenever, Wherever" segue a aposta do piano e ritmo organizado do álbum.





"Luna", que virou single e foi super comentada com vídeo e tudo, é agitadinha e maravilhosamente doce. Com vocais de Lucy também, que aqui são mais do que perfeitos. Literalmente é um banho de lua ("I will bathe myself then I'll wear you for the night. Colours fading and frayed at the sides...") com certa sensualidade de Steadman e Rose.

O álbum segue com a legal "Eyes Off You", balada acompanhada por piano (investiram pesado com o piano nesse trabalho!). Eis que vem "Feel", uma das minhas (se não a mais) favoritas do disco. Que instrumentos maravilhosos e que mistura boa! No começo você imagina uma referência indiana à Bollywood (cara, eu SUPER visualizei um filme moderno indiano cheio de dancinhas). Single, please!

O bom e velho indie rock volta em "Come To", muitos vão curtir. Tomara até que vire single. Como essa que quebra o ritmo eletrônico do álbum, "So Long, See You Tomorrow" não tem pretensão de retomar o ritmo e segue lentinha. Até os 4 minutos você vai querer dormir, depois a bateria de Suren é invocada e dá um novo tom para a música, distinta do que começou. Fecha o álbum mesmo, dá impressão de créditos finais (aqueles intermináveis).



NOTA FINAL: O BBC nunca deixou de estar na minha playlist. Primeiro porque The Boy I Used To Be já me conquistou de cara e os álbuns deles mereceram toda atenção. Pra quem acompanha a trajetória do Bombay, So Long, See You Tomorrow é um novo achado. As impressões são duas: a de que assistiram muito musical e a de que decidiram misturar tudo que é instrumento e fazer o que sempre fizeram, se reinventar.

Passa uma vibe adolescente de querer buscar mais, mesmo que muitas vezes sem foco, porque ficar mudando tanto de ritmos pode atrapalhar a identidade da banda (e ficar enjoativo os refrões chiclete de "Carry Me" e "It's Alright Now"), porém, os camaleões indie em nada deixam a desejar. Da deliciosa "Feel" ao dueto fantástico de "Home By Now", vale ouvir o que eles têm de bom.

Então, por favor, BBC, continuem revirando tudo!



FacebookPerfil pessoal no FacebookTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos