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Resenha: Metronomy - Love Letters

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A Metronomy está de volta! E mais alegre do que nunca em Love Letters. Montada por Joseph Mount e seus vocais sutis, Oscar Cash, Anna Prior e Gbenga Adelekan, os mestres de remixes bem famosos como de Lady Gaga, Kate Nash e Gorillaz, estão de álbum novinho. Já é o quarto deles e o DDPP conta de primeira se vale ou não ouvir.

Joseph Mount pode ser classificado como um "químico" da música eletrônica. Desde que deu origem ao Metronomy, trabalha na composição estrutural, que evoluiu através de "cálculos" entre letras, instrumentos e vocal. Mestre, claro que não poderia fazer feio na estrutura da banda, onde dispõe de Cash no saxofone e guitarra (yep!), Anna na bateria (Girl Power) e o nigeriano Adelekan no baixo (e alguns vocais). O nome Metronomy faz alusão ao metrônomo, aparelho que mede o tempo da música. O primeiro álbum, Pip Paine (Pay the £500 You Owe), ganhou o coração dos críticos até que vieram Nights Out (2008) e The English Rivera (2011). Agora se inspiram em cartas de amor para apresentar Love Letters.





O disco novo abre com "The Upsetter", os sintetizadores são a chave, cheio de referências legais ("We just came back from Riviera"). Se você é novo ao Metronomy vai perceber que é uma banda sem estilo definido, dependendo da música. Nessa faixa, até a letra tem algo de Mika, meio anos 80. Em "I'm Aquarius", a letra astrológica ("You are Taurus, I'm an Aquarius...") torna a música tão divertida (fora o backing vocal da Anna) que pode enjoar se ouvida o dia todo. Ainda é calminha e segue a faixa anterior.

Sabe aquelas fases difíceis de jogos do Super Nintendo ou Game Boy? "Monstrous" dá a sensação de que você está jogando um game das antigas. Achei a letra meio hipnotizante e até confusa ("Every night is a mark of a new day, every day is a mark of something new"), mas a batida ganha o coração mesmo.





O single "Love Letters" tem clima romântico. Pros impacientes, o primeiro minuto recheadíssimo de saxofone pode soar chato, mas aguentem, porque vai levar ao disco dos anos 70, uma viagem no tempo. O refrão é tão disco que fica impossível não se imaginar dançando essa delícia ("You've got me writing Love letters. I'll always write you love letters"). O álbum me ganhou com essa faixa.

Ainda na vibe psicodélica vem "Month of Sunday" com bateria maravilhosa e um arranjo de dar água aos ouvidos. E que guitarra arrasadora! A festa segue intacta (e já a cara eletrônica da nossa geração) em "Boy Racers", faixa exclusivamente instrumental (não vai dar sono, prometo). Os vocais retornam triunfais em "Call Me" ("Call me valentine..."), cheios de graça e experimentos. Não me empolguei muito, confesso, mas não chega a estragar.



"The Most Immaculate Haircut" (nome bom, vai!) começa toda séria e no refrão fica animada, eletrônica de leve e altamente psicodélica. "Reservoir" tem roupagem meio MGMT que agrada, o teclado é usado com gosto. A obra fecha com "Never Wanted", que se ouvir com fone de ouvido vai dar impressão de que está na estrada em direção a algum lugar pela madrugada (pelo menos eu senti isso). Tem tanto instrumento que é difícil descrever um por um (cuidado, o versinho "it gets better..." gruda). 

NOTA FINAL: Várias bandas em uma, é isso que Metronomy sugere que pensemos sobre eles. Se não conhece os trabalhos anteriores, não há problema em conferir o Love Letters, que chega nas lojas em março. O álbum é uma salada de música eletrônica, pop e psicodélica, pra quem gosta de renovar a playlist. O legal é que esses camaleões ora diferem de tons sutis, ora abusam de mais densos. As letras não são épicas, mas casam bem com a composição, ficando difícil não gostar. Pra quem curte trabalho organizado, limpo e claro, Love Letters é a receita certa.




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