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Eu sou Malala - Resenha

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A primeira vez que ouvi falarem sobre Malala Yousafzai foi quando ela foi baleada pelo Talibã, em outubro de 2012. Li uma matéria na Rookie Mag em que várias meninas do mundo mandavam mensagem pra Malala. A história dela me emocionou e ela passou a ser uma das minhas heroínas. Ano passado ela escreveu um livro sobre a própria vida.

Não costumo ler livros biográficos. Não costumo ler livros diferentes dos que sempre  leio. Tive uma fase "livro de menininha", a fase young adult, e agora tô numa fase ficção fantasiosa/cientifica. A única biografia que li foi uma gigante sobre os Beatles que meu pai me deu. Eu lia durante as aulas do terceiro ano só pra irritar meus professores, tipo, "olha aqui pra mim lendo um livro enorme sobre os Beatles na sua aula porque eu não ligo a minima pra geografia".

Mas em algum momento do ano passado fiquei sabendo que a Malala tinha escrito um livro e fiquei com muita vontade de ler, daí soltava dicas para todas as pessoas que eu conhecia: "a Malala escreveu um livro, eu queria tanto ler..." ou "acho que não compraria esse livro porque é muito diferente dos livros que leio, mas queria muito lê-lo". Finalmente meu pai captou a mensagem e comprou ele no Natal. Foi o primeiro livro que li em 2014.

Eu Sou Malala foi escrito pela própria Malala em conjunto com a jornalista britânica Christina Lamb, e lançado em outubro do ano passado. Narra a história da ativista desde a infância, quando seu pai começou a levantar a voz pra situação da educação no país,  até o exílio no Reino Unido por conta do ataque sofrido. Malala fala sobre seu dia-a-dia, descrevendo costumes culturais e explicando as questões politicas e religiosas relacionadas à invasão Talibã, que transformou o belo vale do Swat, antes paraíso turístico, em uma região de conflito.

Mesmo com todos os problemas, as meninas paquistanesas ainda conseguem levar uma vida relativamente normal. Malala conta que ela e as amigas gostam de Justin Bieber e da saga Crepúsculo (exatamente como a maioria das meninas de 14 anos no mundo todo em 2012), mesmo o Talibã tendo proibido aparelhos de televisão, músicas que não fossem islâmicas , dança e educação para meninas. Ela também fala do contraste entre sua terra natal e a Inglaterra, pra onde foi transferida após o ataque. Num trecho, fala como as coisas na Inglaterra são organizadas e que sua mãe teve que aprender coisas como ligar a TV e usar um fogão elétrico, e em como ela sente falta da vizinhança barulhenta e da casa cheia de visitas.

Pra mim foi uma experiencia incrível começar o ano em contato com uma situação tão diferente da minha. Conhecer a história inteira da Malala me fez admirá-la ainda mais. Além de tudo, o livro dá uma dimensão de como questões politicas podem ser complicadas e prejudiciais pra população. Ao mesmo em que me sinto impotente à bagunça que é a politica, o exemplo de uma menina paquistanesa que vive numa situação muito mais complicada e mesmo assim fez-se ouvir, me dá esperança de que pequenos atos podem sim fazer uma grande diferença.

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Lily O. não vai mais escrever no DDPP :( Essa é a última resenha dela aqui no site, que vai ficar como um longo "até mais", afinal o mundo é uma loucura e num piscar de olhos ela pode estar com a gente de novo! Continue acompanhando o site dela e siga a Lily no Instagram!


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