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Resenha: Foster the People - Supermodel

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Foram uns aninhos de espera que a banda Foster the People fez a gente passar pelo substituto de Torches (2011). Mas valeu a paciência dos admiradores do grupo americano. Lançando Supermodel, pela Columbia, chefiados pelo ótimo single "Coming of Age" (que fez muito barulho), os meninos chegam com um disco temático. E o DDPP conta tudo!

Composto por Mark Foster no vocal (e guitarra, teclado, percussão...), Cubbie Fink no baixo e Mark Pontius na bateria, Foster the People começou tímido na indústria quando lançaram "Pumped Up Kicks", que estourou entre 2010 e 2011 e faturou o Prêmio de Música Rock da Billboard em 2012. A demora pelo álbum novo foi propositalmente manejada pela gravadora, já que nas palavras deles "é um álbum muito bonito", e quanto mais aprimoramento, cuidado e produção, melhor ficaria o resultado.

Em 14 de março (ui, fresquinho!), FTP lançou Supermodel. A primeira coisa a se notar é que é uma obra temática, cheia de músicas sobre revolução humana, mais "orgânico" (como o próprio Mark frisa) e lida com os problemas do capitalismo. Tal problema social encantou o trio durante a construção das faixas, que incluem diferentes instrumentos e ar psicodélico sem deixar o pop vibrante (e rock, claro) marca da banda.


Curiosamente, o nome Supermodel vem do narcisismo atual, de acordo com Mark Foster, e a mania das pessoas em se importarem demais consigo, com a própria imagem e quantos "likes" ou "retweets" vão conseguir, daí o nome referindo-se a supermodelos com status e salários mais altos que a altura de um prédio de São Paulo. Falando em prédios, para divulgação foi pintada a capa do álbum num edifício de Los Angeles, ou seja: foda!

O álbum abre com a curiosa "Are You What You Want To Be?" que traz uma leve pegada de revolução regada a um pouco de power pop (em sua melhor forma) e letra intimidadora. Os backing vocals de Cubbie estão demais e grudam na cabeça. "Ask Yourself", outra música com letra intimidadora, pode soar meio pessimista ("Who said the dreamers always get what they desire? Well, I found the more I want, the less I got..."). Para um jovem como eu, desperta o ouvido e o coração para a atual realidade.



O Single "Coming of Age", que já tocou exaustivamente, lida com amadurecimento. Aquela etapa da vida que descobrimos que estamos crescendo, não em tamanho, e sim na cabeça, vendo a vida com outros olhos sem esquecer de tomar um passo por vez. É uma faixa meio electro pop, perfeita pra ouvir no verão, naquele dia de calor que ninguém aguenta.



"Nevermind" é intrigante, começa levinha e vai ficando animada com uma introdução maravilhosa. O refrão é otimista e se tornou uma das minhas favoritas do álbum. Em seguida vem "Pseudologia Fantastica", com um nome curioso e que também virou single. Fala do relacionamento de um sujeito quando ele retorna aos braços de quem ama (alguns disseram que é um soldado que retorna da guerra) e a letra: "Why’d you say that you’d come right back for my love, for my strength? All the promises you made never realized...". A sexta faixa é um coro angelical, como diz o nome "The Angelic Welcome of Mr. Jones".



"Best Friend", um dos prometidos singles, não apresenta nada novo, mas é bem executada. Fala sobre dois amigos ("When your best friend’s all strung out, you do everything you can ’cause you’re never gonna let it get ‘em down..."). O disco fica mais alternativo em "A Beginner's Guide to Destroying the Moon", e um tanto mais sombrio com a letra falando sobre o lado mais sujo e obscuro do capitalismo. "Goats in Trees" vem em seguida na linha alternativa, menos agitada e com vocais muito afinados. A vibe segue em "The Truth", que foca mais nos instrumentos.

De maneira divertida, FTP emenda o final do álbum com a acústica "Fire Escape", que é gostosa de ouvir. Ela é um pouco baixa mesmo, para atenuar o ritmo vibrante do álbum e é a última faixa da versão normal do álbum. A versão do iTunes vem com a viva "Tabloid Super Junkie", atacando a mídia e a imprensa.


NOTA FINAL: É dificil dizer se esse álbum pode soar "novo" pra Foster. Torches foi excepcional em apresentar a banda que, no segundo álbum, continua boa. A parte de ser temático é ótima, o problema é a sensação de ter ouvido mais do mesmo. Tem horas que lembramos de Vampire Weekend, Paul McCartney e até Oasis. A vibração alegre acaba se destacando, o que pode atrapalhar a ideia das críticas nas letras, que soam confusas.

Eles agradam, mas não sai disso, nada que o cenário pop não tenha visto. Claro que deve ir bem nas paradas com singles potentes, mas se a vontade era de chocar com o tema, não rolou. Porém, se a vontade era a de divertir e entreter com a mistura de sons e vocais bem arranjados, aí sim Foster the People apresenta um trabalho coeso. Pra gente, até que é bom!




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