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Auto preconceito: dinheiro define quem somos?

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Um amigo ex-pobre entrou numa faculdade privada. Tem 23 anos e não fala com ninguém na turma. Quando perguntei por que, respondeu que eles vão de motorista, têm carro, e acha todo mundo metido por acreditar que olham torto por ele preferir ônibus. A verdade é que ele se pré-julgou e foi preconceituoso com a turma só pelo status financeiro. Por quê?

Por ele se sentir menor que todo mundo, é da personalidade dele. Por ter crescido na periferia do Rio de Janeiro, adentrar as beiradas da sociedade onde jovens nunca pegaram ônibus ou passaram por "dificuldades", faz com que ele se poupe dos julgamentos de fora e se auto-descrimine por medo da exposição. Só que dentro dos moldes que discutimos agora, bem mais pobre, sem carro nem nada do tipo, estudei em duas instituições onde classes média alta e alta se misturavam.


Por ser diferente da camada social a qual estavam acomodados — e por não me encaixar por completo no perfil periférico —, virei mascote. Era o garoto que todo mundo ligava para festas, que esperavam chegar pra entrar na aula, o que tinha os melhores conselhos e, acima de toda timidez que batalho diariamente, o único que falava com todos. Fica claro que posição social influencia sobre o que você pode obter, locais que pode frequentar e na comodidade de ter menos um problema na cabeça ($$$), mas para relacionamentos, caráter (personalidade + ação) é fundamental pra definir como te tratarão.

Claro que condição financeira poderá ser usada contra você por pessoas que se sentirem intimidadas, mas será mentira que você é pobre? Ou que você é rico? Será mentira que você é educado e incrível independentemente de quanto tem no banco? Então por que não começa a tirar das pessoas esses rótulos de "rico = metido" ou "pobre = favelado"? Até "gay = promíscuo", "negro = ladrão", "responsável = entediante" e muitos, muitos outros? 


Mais importante, puxe esses rótulo de você. Esse amigo conquistou um patamar social (financeiramente) acima do que se encontrava, mas o caráter não acompanhou a mudança. Significa que, enquanto pobre, aprendeu das dificuldades o valor do dinheiro, da humildade e do consumo supérfluo. Só que essa estagnação de arquétipo o amaldiçoou com a sensação de que ele, mesmo se virar bilionário, jamais será como os colegas de classe, afinal, eles foram pra Disney com 8 anos e ele mal foi pra São Paulo. 

Porém, qual é o objetivo de impressionar quem julga por tão pouco? Vale a pena? Não, não vale. Se valer, você é o preconceituoso da história (até contra si). Amizades se constroem sobre respeito. São pessoas que somam, que mostram que podemos ser quem somos, sem receio. Claro que todos querem ter uma casa gostosa, uma piscina no verão e um carrinho pra aproveitar os finais de semana. Mas coisas são coisas. Quando pararmos de tratar coisa que nem gente e gente que nem coisa, poderemos, definitivamente, nos considerar uma sociedade de animais racionais. Antes disso, não.


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