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Como escrever um livro, parte 3: técnica de sinopses

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Já comentamos sobre as desculpas que criamos para não escrevermos e que a pesquisa tem parte fundamental no desenvolvimento do nosso estilo literário e no posicionamento da nossa obra dentro do mercado. Hoje vamos falar de uma técnica que uso, onde monto sinopses de todos os capítulos do livro antes de escrevê-lo. Isso dá controle geral e impede "bloqueios criativos".


Todo mundo começa a escrever por intuição. É aquela vontade de contar uma história que vai surgindo no coração. Não pensamos em técnicas, administração de tempo, quase sempre o psicológico das personagens se desenvolve naturalmente, e erros cronológicos só não acontecem mais por pura cagada. O maior problema de escrever sem possuir nenhuma forma de controle sobre o enredo construído é o famoso bloqueio criativo


bloqueio criativo

Geralmente acontece depois de um momento de grande efervescência criativa, onde a história ganha um clímax e, depois dele, as ideias parecem desaparecer da cabeça (assim como a vontade de escrever). Quando isso acontece, percebemos que estamos sob domínio de pura inspiração, que é diferente de criatividade. Inspiração parte de fatores externos que nos dão vontade de exercer a criatividade, que é nosso controle em gerar ideias. Inspiração a gente não controla. Criatividade deveríamos controlar.


como controlar a criatividade na hora de escrever

Compreenda que você é dono do seu cérebro. Para isso, compreenda que a criatividade é um músculo que precisa ser exercitado, especialmente nos momentos em que você se encontrar "sem criatividade nenhuma". Se force a pensar (mas sem estresse), corra atrás de inspirações assistindo filmes, leia outros livros, ouça música. Dessa maneira, você vai descobrindo gatilhos que te inspiram e, consequentemente, facilitam o manuseio da criatividade sob seu comando.

Imagem: rebeccadixon.org.uk

a técnica de sinopses

Não sei se existe outro nome para essa técnica, mas é a que uso e que mais deu resultados (a ponto de escrever 350 páginas d'Os Hereges de Sata Cruz em quatro semanas, tipo na NaNoWriMo). O objetivo é administrar o tempo cronológico da história, a fluidez dos capítulos, o comportamento das personagens e o facilitamento de mudanças que vão ocorrer enquanto escreve (porque a gente sabe que as personagens tomam vida própria e nos desobedecem). Imagine essa técnica como um mapa, visto de cima.

Num caderno dedicado à obra ou onde achar melhor usar e visualizar (até A4 colados na parede já serviu pra mim), escreva as sinopses de todos os capítulos. Sinopse é um resuminho do que vai acontecer, quando, com quem, como serão as reações e tal, bem básico mesmo. Olha o exemplo usando meu livro:




Viu? As marcações são notas que tive de me dar para ligar aos capítulos futuros. Por isso usei lápis de cor e rabisquei com cores diferentes momentos importantes da história. É mais pra ter noção do espaço onde se encontram, mais ou menos a que horas, que dia da semana/mês. Essas sinopses são como esqueletos. Romantizar, escrever propriamente, é como a carne. 

Por isso fica mais fácil usar essa técnica para não deixar a criatividade "acabar". Criando um esqueleto do primeiro capítulo ao último, é só aproveitar a melhor parte do processo depois: encorpar, narrar, e descrever cenários e personagens. Inclusive, através desse método onde a gente vê a história por cima, fica mais fácil implantar atitudes que expressam o psicológico das personagens de maneira subjetiva, dando mais vitalidade às características delas.

Lá no CAPÍTULO 2, onde o Guido conversa com um espírito achando que é um vendedor, grifei o "choque psicológico depois que percebe a realidade". No livro em si, esse choque não é dito de maneira clara, mas na atitude de Guido sair da feira, sentar debaixo do Sol e fumar um cigarro olhando para o chão. Às vezes, deixar o corpo da personagem falar ao invés de escrever "ele ficou em choque" ou "foi mais uma experiência traumática pra coleção", torna a experiência subjetiva, só que mais realista e misteriosa.

Imagem: danielfaro.wordpress.com

pra finalizar...

Talvez essa técnica não funcione pra você. Talvez encontre outra ou desenvolva uma própria. A questão é que pra mim fez fundamental diferença na maneira com que lido com minhas histórias. A inspiração é importantíssima, mas controlar sua criatividade é mover projetos pra frente. Consigo guardar livros inteiros pra escrever "depois" usando esse sistema de sinopses. Não perco histórias, sabe? Elas ficam prontas! Só precisam de carne. Tanto que o livro novo eu tô terminando de romantizar agora e pretendo lançar rapidinho. 

Chega de desculpas. Comece a planejar sua história agora!

Conheça!

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