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Como escrever um livro, parte 4: revisão

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Todo escritor acha que revisar é mole. Dar duro é romantizar todos os seus capítulos, certo? Errado! Revisão não é só ler texto. É mutilar parágrafos, decepar capítulos, reescrevê-los, encurtar o livro e assassinar ideias que você ama, mas que não funcionam na narrativa. Essa parte do guia é pra amenizar ao máximo essa dor. Mas preciso avisar: você vai sofrer. Muito.



antes de revisar

Terminou de escrever o livro e já tá no pique pra começar a revisão? Não faça isso. No máximo, cate erros ortográficos ou de digitação, mas não tome nenhuma atitude de mudar ou cortar sua história agora. A razão? Depois que deixar o livro "maturar" por alguns dias ou semanas, depois de ter relaxado e curtido a vida um pouquinho (várias sugestões aqui e aqui), vai pegar sua história com outra perspectiva.

Significa que sua visão estará mais crítica e menos influenciada pela adrenalina de estar amando o que produziu. Verá as coisas com distância, com cérebro livre de apegos desnecessários e discernimento mais apurado. Parece mentira mas não é. Todos os autores passam por esse processo psicológico/intelectual quando terminam as obras e vão pegar pra revisar. Por isso, se dê folga, respire. Aí sim volte ao trabalho!

Imagem: kfphotography.nl

como revisar?

Parece pergunta estúpida, mas muitos escritores de primeira viagem não fazem a menor ideia do que uma revisão é constituída. Basicamente, é a lapidação do livro. Como dissemos na parte 1 do guia, seu livro não sai pronto do cérebro! Você vomita as palavras no computador/caderno sem medo de ser feliz. Só depois você melhora o que escreveu removendo falhas cronológicas, erros de português, digitação errada, analisa o ritmo pra ver se os capítulos seguem uma harmonia ou se embolam, diminui páginas retirando partes desnecessárias da trama, confere o psicológico das personagens pra ver se agem de acordo com quem elas são etc etc etc.

Ficou claro que revisar não é apenas ler. É interpretar o texto como um crítico e não ter medo de apertar Delete. Também não adianta revisar uma vez só. Se quiser seu livro com o mínimo de erros possíveis (porque mesmo revisando 238273 vezes você ainda vai encontrar erros) vai revisar até cansar. Óbvio que vai chegar um momento em que você precisará parar, senão nunca mais vai dormir, já que toda vez que pegamos a obra queremos mudar alguma coisa.

Conserte apenas o que não está funcionando. Se leu um capítulo e sentiu que ele fluiu, mantenha-o. Quando tropeçar em frases difíceis, parágrafos confusos e coisas do tipo, conserte. "Mas Enrique, como vou saber se as frases são difíceis de ler?" Pra isso, tenho um truque perfeito que vai ser o melhor pente fino pra usar na revisão...

Imagem: goldenhorse.org

leia em voz alta

Ler em voz alta é a melhor maneira de saber se sua construção textual está clara, fluída e objetiva. Revisei Os Hereges de Santa Cruz cinco vezes, mas só me toquei de ler em voz alta nas duas últimas. Me arrependo. A quantidade de erros que encontrei depois que comecei a ler alto foi maior que nas anteriores, onde apenas os erros mais gritantes apareciam.

Em voz alta você vai conhecer as pausas do texto, acertar a posição das vírgulas e pontos, o tom das personagens e até reconhecer a poesia do que construiu. Considerei mais fácil ler em voz alta do que ler mentalmente, já que procrastinei/distraí menos e pude criticar minha técnica com mais propriedade. Juro que você vai ver diferença.


mande para outros escritores

Preferencialmente para escritores com quais você não tenha muita amizade — mas que confie o suficiente para ficar tranquilo de que sua história não será roubada (o que é difícil, mas acontece). A melhor maneira de conhecer outros escritores é fazendo parte de um grupo no Facebook como o NaNo Brasil (grupo dedicado a quem participa da NaNoWriMo, mas aceita escritores em geral) ou lendo sites ligados à literatura. Amigos mente-aberta, críticos e honestos também servem.

Além de pedir para caçarem erros, peça que critiquem sua história. Criticar não é falar mal deliberadamente, mas apontar as partes mais legais e as menos legais da sua história. Dentro do enredo, as críticas partem mais de gosto pessoal do que análise da sua técnica narrativa, mas vale ouvir mesmo assim, sem levar para o lado pessoal. Na verdade, vamos falar disso agora...

Imagem: ricoh-gr-diary.blogspot.com

quando ouvir críticas?

Se você é do tipo que ouve uma crítica e já acha que precisa jogar o livro no lixo, respire fundo: críticas não são verdades absolutas. O próprio Stephen King foi duramente criticado em algumas obras que venderam que nem água. Só que não adianta fechar os olhos e achar que seu livro é o máximo, porque ele não será para todo mundo. Para filtrar críticas, se aproveitar das construtivas e melhorar teu trabalho, é necessário bom senso.

Você acredita no teu trabalho? Criticaram teu estilo narrativo, mas você acha que ele é parte fundamental/estilística para a história que tá contando? Chamaram suas personagens de superficiais... Será que elas são mesmo? Quando alguém criticar, formule uma pergunta em cima da crítica e tente achar uma resposta. Se essa resposta for coerente e de fácil compreensão, quer dizer que o item discutido tem base para se autoargumentar. Se você confia e acha que está bom (depois de ouvir as críticas e mudar o necessário), está tudo bem! Confie em seus instintos!


terminei a revisão, e agora?

Diagramação. Também chamada de paginação, é quando a gente prepara as páginas e elementos visuais para o resultado final. Inserimos numeração de folhas (para publicações físicas), ordenamos os capítulos, colocamos quebras, escolhemos a fonte e coisas do tipo. Na próxima parte a gente vai falar melhor disso, tanto para publicação física (e independente) quanto para publicações digitais.

Espero que esteja curtindo o guia! Mande pros seus amigos escritores lerem também, tá?


Conheça meu livro!

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