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Resenha: Kaiser Chiefs - Education, Education, Education and War


Leeds nos presenteou com uma banda potente e extremamente viva em 2000, sob o nome Parva. Graças à força do bom-senso musical, mudou para Kaiser Chiefs em 2003. Na voz de Ricky Wilson, guitarra de Andrew White, baixo de Simon Rix, teclado de Nick "Peanut" Baines e, recentemente, na bateria Vijay Mistry, a Kaiser Chiefs voltou melhor ainda!

Com cinco álbuns que se encaixam perfeitamente no cenário rock e punk britânico, incluindo o aclamado Employment (2005), a banda garantiu alguns Brit Awards e outras premiações importantes ao longo da carreira. Eu diria que a KC vai além das expectativas de qualquer amante da música inglesa, munida sempre de guitarras vitaminadas e baixos assassinos num cenário moderno e diversificado. Apesar dos caras só terem um número um no Reino Unido, a gostosinha "Ruby", são vários outros singles que figuram entre as listas de favoritos do repertório deles.


Os caras lotam estádios e são sempre aclamados pela crítica. Manter-se com essa imagem, talvez até polida, pode ser um desafio, e é exatamente esse desafio que Education, Education, Education and War, da Universal Music, tem de encarar. A diferença é a troca de bateristas que, como estamos cansados de saber, pode ser um tiro no pé ou prenúncio de tempo bom. Nick Hodgson deixou a KC em 2012. Claro que a diferença da bateria (e até backing vocals) pode soar despercebida, então foquemos no material que temos aqui, que acabou de sair do forno.

O nome da banda faz referência a um time de futebol africano, Kaizer Chiefs, cujo técnico era o ex-jogador de Leeds, Lucas Radebe. Kaiser não é uma banda desconhecida, podendo soar como os Arctic Monkeys, Franz Ferdinand e até Coldplay, logo há responsa de não fazer feio nos álbuns de estúdio. Pessoalmente, meu favorito é The Future is Medieval e Yours Truly, Angry Mob, mas confesso que Education, Education, Education and War tem grandes chances de entrar na lista.



A começar pela introdução punk e potente (a guitarra soa animal) de "The Factory Gates", Ricky já nos leva pela letra insana, bem próxima da realidade do trabalhador atual ("So this is the age of the train..."). O teclado tem aquela pegada de desenho animado a lá Família Adams. Lembra um pouco "I Predict a Riot", segundo single da banda. Embalada, vem o single chefe do CD, "Coming Home", que tem um vídeo bonito, escrita também pelos integrantes (a maioria das músicas eles escreveram). É uma das faixas mais belas e produzidas da Kaiser Chiefs. Preciso dar ode ao vocal de Ricky nessa música, impecável. Tem ar de vulnerabilidade e potência juntos que é quase indescritível. A guitarra e a bateria estão perfeitamente casadas.

"Misery Company" é uma das melhores faixas também. Aqui você pode sentir a bateria de Mistry com mais clareza. A pegada militar icônica da KC se mistura ao britpop dos anos 90 com um delicioso ar dos 70. O refrão é assustadoramente bom, poderia ser continuação de "The Factory Gates". Merece ser single, Chiefs! A qualidade se mantém com a guitarra e baixo mais eletrizantes em "Ruffians on Parade", que vai te tirar do chão com toda certeza. Saia na rua ouvindo essas duas faixas e vai entender o que é agitação (experiência própria).


Depois vamos para "Meanwhile Up in Heaven", que modifica um pouco o ritmo do disco. O teclado do Peanut reina nessa faixa, acompanhada da letra leve e reflexiva ("Meanwhile up in Heaven, they're waiting for you..."). Continuação fácil de "Coming Home". Se pensa que essa música vai diminuir o CD, não senhor(a), a sexta faixa até começa tranquila, mas logo estoura pra mesma vibe de "Misery Company" e "Ruffians on Parade", "One More Last Song" é o bom e velho punk.

"My Life" não traz muita diferença. Talvez sentimos falta dos vocais de Hodgson, mas nada sério para o andamento. "Bows and Arrows" foi single promocional, com letra cheia de rimas e comportada ("It's always you and me, we're bows and arrows"). A estrutura é a mesma, potente e punk. A faixa provocativa dá as cores em "Cannons", que leva na letra o tema do álbum, com tom de protesto, numa curiosa narração do ator Bill Nighy. "Roses" fecha o álbum com classe, no melhor estilo para valorizar a voz de Wilson, com letra deliciosamente melódica ("It's dark where the roses grow"). Um desfecho bem preparado e decisivo.


NOTA FINAL: Uma das bandas preferidas dos amantes do indie rock e post-punk revival, a Kaiser Chiefs me surpreendeu nesse quinto álbum. Eu esperava uma bomba, afinal, com a saída de um integrante algo sempre se perde na composição. Mas a adição de Vijay parece ter sido a melhor escolha. É claro que Education, Education, Education and War soa como um esforço para manter a banda e seu high profile, o status cult entre fãs e admiradores. Em faixas enérgicas como "The Factory Gates", "Misery Company" e "Ruffians on Parade" temos hits que são a cara da Kaiser.

Sabe-se lá porque raios decidiram lançar "Coming Home" para ser o carro chefe de um álbum tão vivo desses. A potência e energia ganham cores novas e, com esse álbum, não escuto uma nova Kaiser Chiefs, mas sim uma KC aprimorada. "My Life" é a única música que parece fora do contexto, e sinto por terem sido apenas dez faixas. Talvez os caras preferiram se poupar com receio de algo. Será? Bom, de qualquer forma é mais um trabalho bem feito pra quem curte a banda.

Não tem letras de amor meloso ou sobre garotas e garotos, e sim sobre sentimentos modernos, solidão, transformação, renascimento. Quem não conhece, não vai se arrepender. Se não gostar da primeira vez, dê chance para uma segunda ouvida. Duvido que não tenha um tema que não chame sua atenção.



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