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Resenha: Kylie Minogue - Kiss Me Once

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"I still kept the fire burning..." Sim, a Kylie mantém a chama mais do que acesa. E chegou com o 12º álbum de estúdio a todo vapor. Com uma pegada costumeira de Minogue, Kiss Me Once é a prova de que cantoras renascem em seu próprio estilo. Quer saber o motivo? Vem cá conhecer!

Lançado pela Warner Music e Parlophone (no Reino Unido), Kiss Me Once tem a missão de superar o maravilhoso Aphrodite (2010) da cantora loura que até hoje toca exaustivamente nas pistas de dança. Quem nunca ficou louco ao som de Kylie Minogue na balada? Se ela começou fofa em "I Should Be So Lucky", ficou uma delícia em "Can't Get You Out of My Head" e uma força da natureza em "All the Loverscom a icônica voz sexy (sem agudos lendários a la Mariah Carey ou Cher).


Minogue se sustenta no cenário pop desde que se encontrou no ritmo dance e eletrônico sem aquele estrelismo que vemos em cantoras enxutas. Australiana, Kylie conquistou a Europa e depois do boom foi para o mundo com o single "The Loco-Motion". Entre altos e baixos, criticada, aclamada ou odiada, Kylie Minogue, que já foi até a Street Fighter Cammy, persistiu. Ainda bem.

Kiss Me Once é um álbum seguro. Mantém a qualidade e nível que Minogue conquistou com Aphrodite. Dessa vez, o time com o qual trabalhou foi mais pesado, assessorada por ninguém menos que Jay-Z. É um álbum forte, ligeiramente amável e sexy. Aliás, a sensualidade bem explorada e desapegada de Kylie leva os fãs e admiradores à loucura, e fiquei muito feliz em perceber que ela não só manteve essa ideia de nos fazer felizes como também aprimorou a festa que a gente pode fazer ouvindo música.





O disco abre com "Into the Blue", que é single. A letra é daquelas sobre renovação, renascimento e transformação pessoal ("But I'm still here holding on so tight to everything that I left behind. I don't care if the world is mine 'cause this is all I know..."). Já abre com a proposta de sempre: dance, funky e divertida. O interessante é a composição mesmo: sintetizadores, um pouco de piano e orquestra. Não se espante, a maioria das letras desse álbum são sobre encorajamento e otimismo. O final dessa música é lindíssimo e bem trabalhado. 






"Million Miles" traz aquela vozinha inicial que estamos acostumados da Kylie (se nunca ouviu, dá uma chance pra ela!). Outra faixa dance, se encaixa perfeitamente num videogame tipo Sonic, The Hedgehog. Em seguida vem "I Was Gonna Cancel", sobre ter um dia tenso e decidir cancelar um encontro (quem nunca?). Essa música é a cara de uma faixa do Pharrel Williams, que foi quem escreveu e produziu essa obra. A pegada disco deixa "I Was Gonna Cancel" como uma joia no disco. A minha única reclamação é que poderia ter sido um dueto entre Williams e Minogue, ficaria demais.

Vamos falar de amor em "Sexy Love", sem preocupação ou sofrimento, porque é assim que Kylie fala de amor. Ela é descontraída cantando sobre sexo e o sentimento mais aclamado do mundo. Isso que nos diverte: ela fala de sexo e amor pra dançar. "Sexy Love" mantém a pegada gostosa de "I Was Gonna Cancel".




Sensação do disco, "Sexercize" ganhou um vídeo safadíssimo, como uma versão para maiores de "Physical" da Olivia Newton-John. Vamos nos sexercitar? Ela fala de sexo como uma rapper, não tem drama, é descontraído. O clipe fez barulho porque ele pega o espírito da música e faz qualquer conservador pirar. O problema é que pode soar sem foco, o final é até confuso. A produção electro-rap pode atrapalhar um pouco a experiência da música. Vale ser ouvida sem preconceito. É quase uma continuação de "All The Lovers".

"Feel So Good", cover de "Indiana", é normalzinha, fica na zona de conforto. O mesmo acontece com "If Only". Apesar da grande produção, a letra deixa um pouco enjoativa. Pra salvar o álbum vem "Les Sex", que retorna com os sintetizadores sensuais e xilofone perceptível. Também tem aquele lance de ficar na cabeça. "Kiss Me Once", a faixa que representa o título, segue um pouco confusa, com destaque para o som de sinos que anima. 


O dueto com Enrique Iglesias, "Beautiful", criou expectativa. Não me leve a mal, é uma música maravilhosa, mas o problema é que a letra acaba não valorizando. A falta de foco é o que atrapalha algumas faixas nesse álbum e "Beautiful" traz essa sensação bagunçada. Não se encaixa na composição do disco. "Fine" traz pra cima o que "Beautiful" deixou em baixo. É outra faixa dançante que fecha a edição regular do álbum com a mensagem "You're gonna be fine".

E temos três faixas bônus. "Mr President" é maravilhosa para as pistas. Lembra algo de "Get Lucky" (Daft Punk e Pharrel Williams), "Wow" (da própria Kylie) e "Get Sexy" (Sugababes). A mixagem é maravilhosa. "Sleeping With the Enemy" não traz nada novo, mas é agradável. "Sparks", que só tem na versão japonesa, surpreende com o ritmo e produção, mais calmo e tranquilo. Não faz muita falta no CD.

NOTA FINAL: após álbuns inesquecíveis, outros não tão bons e um pop atemporal, Minogue se mantém no cenário dance. Porém, tende a ficar enjoativo como nas faixas "Feel So Good", "If Only" e "Kiss Me Once". O dueto "Beautiful" é mesmo dispensável como as bônus "Sleeping with the Enemy" e "Sparks". Mas temos as que animam e agitam qualquer ouvinte como "I Was Gonna Cancel", "Into the Blue", "Million Miles" e "Les Sex". Com olhar de mídia, a que deve fazer mais barulho é "Sexercize", pelo conteúdo mesmo. Indico para quem gosta e está acostumado. Pra quem não curte, melhor passar longe.




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