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Resenha: Pharrell Williams - GIRL

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Chegou a primeira review de um álbum R&B e nada mais justo ser GIRL (estilizado como G I R L) do Pharrell Williams. Não só porque "Happy" do filme Meu Malvado Favorito 2 está tocando exaustivamente em todo lugar, mas porque o cara é um artista incansável. E com o segundo disco solto, o DDPP vai desvendar o segredo do Williams. Bora?

Lançado pelo selo próprio de Williams e pela Columbia, GIRL tem uma ideia diferente do que estamos acostumados a ver nos artistas modernos: falar de mulher com uma valorização acentuada. Pharrell é um artista multiuso, do tipo que ganha Grammy, colabora com nomes de peso à la Madonna e Jay-Z (mais recentemente na música "Get Lucky" com Daft Punk), ganha prêmio de mais bem vestido e é vocalista da N.E.R.D. Com uma pegada dance, pop e soul, a função de GIRL é mostrar letras que valorizam os atributos femininos encontrados na sociedade. Um tema válido, vendo que a maioria das letras sobre mulheres não são lá muito favoráveis. Eu diria que essa visão otimista (e esperta) de Pharrell só tende a ganhar espaço. Taí as paradas da Billboard que não me deixam mentir.


O disco abre com "Marylin Monroe", referência à diva mor do cinema. Pharrell fez um trabalho maravilhoso na introdução, nos levando à uma típica cena de algum filme de Marylin com a vibe melódica, que logo nos carrega à modernidade com R&B. Claramente inspirado por Stevie Wonder, Michael Jackson e outros ícones, Williams inicia o álbum como um guia de conquista para garotas (e garotos também, why not?), falando do quanto o romantismo deve estar vivo. O melhor? Vocal da Kelly Osbourne. A letra surpreende quando ele coloca até Joana D'Arc como referência de mulheres bonitas.

Em seguida, o dueto lendário com o ícone dance/soul/R&B da nossa geração, Justin Timberlake. Dois caras maduros eternamente jovens. "Brand New" valoriza os vocais da dupla e o melhor é a pegada anos 70 meio Supremes que acompanha a faixa. Pode soar estranho, mas até aqui vai se mostrando um disco elegante. A celebração ao poder feminino e sexualidade é exaltada em "Hunter", na qual Pharrell segura sozinho numa levada mais disco. O mesmo ocorre em "Gush", que pode ficar na cabeça de muitos ouvintes pelo refrãozinho ("I make it, just gush"), falando de uma mulher que o encanta.



A quinta faixa é a monstro "Happy", da trilha sonora de Meu Malvado Favorito 2. Da letra nem preciso falar muito, é otimismo puro. Com clipe fofinho, um Pharrell puer aeternus e bon vivant, só poderia ter sido o sucesso que é, com pegada soul e vocais bem arranjados. Pode ter perdido um Oscar, mas sem dúvidas ganhou espaço em milhares de playlists. Um convite à felicidade. Que tal?


"Come Get It Bae" tem o "hey!" da Miley Cyrus que ganha já no começo. Típico som de Pharrell. A letra fala sobre sexo através de metáforas com uma motocicleta, o que pode soar controverso à proposta de falar da mulher com elegância e "jeitinho" (deve ser culpa da influência da Cyrus, brincadeira!). Mas é uma música agradável. Os fãs da cantora de Bangerz vão gostar muito. Colado vem "Gust of Wind", que diminui um pouco o ritmo do álbum com a participação de Daft Punk. Com "Lost Queen" ao lado de JoJo, Pharrell dissolve a estrutura musical planejada em GIRL, com um ar de namoro. Nessa faixa se esconde "Freq", que é lentinha, mas ainda agradável.

"I Know Who You Are", dueto com Alicia Keys, parece deslocada do álbum após ouvirmos "Freq". Tem pegada muito leve de reggae, encabeçada pelo R&B poderoso e tonificado com Williams e Keys juntos. "As mulheres me apoiaram na construção desse álbum", disse Pharrell à GQ. Também pudera, um álbum otimista valorizando as mulheres sem palavrões tão explícitos, só poderia favorecer à imagem do sexo feminino. O que continua em "It Girl", que fecha com o melhor: a letra presenteada com a orquestra que acompanha o disco todo ("You the it girl, hey hey, my inspiration. My compass spinnin', baby, it's the right destination"). É uma mistura de instrumentos que torna ótima a experiência.


NOTA FINAL: O cantor de 41 anos mais parece que estacionou nos 23, só que mais romântico e tentando preservar a imagem de queridinho. Na verdade, a tentativa aqui é a de apagar a letra sexista de "Blurred Lines". Pharrell consegue lembrar de que as mulheres das letras do R&B, Hip Hop e soul não devem ser apenas objeto de putaria e sim de admiração. Merecem ser vistas com respeito e nada mais justo do que letras que as exaltam em sua melhor forma.

O mundo não vive sem mulheres e em dias em que os ignorantes afirmam que a culpa dos estupros é delas, é bacana saber que tem artistas que vão na contramão e apresentam um trabalho como esse, afirmando que elas são poderosas, sem exaltar dotes sexuais a todo instante. Como disse, isso só cai por terra em "Come Get It Bae". Bom moço, esforçado e empreendedor, tudo com ar jovial e divertido, Pharrell Williams traz um disco elegante e leve, dissolvido na dose certa. Quem não gosta, vale dar a chance ao menos uma letra; quem gosta, é prato cheio. Esqueça o pré-conceito e abra os ouvidos pra esse CD. Ficou demais!



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