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Resenha: Silva - Vista Pro Mar

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Deixando um pouco as preciosidades gringas, o DDPP sinaliza um cantor brasileiro pra você: o Silva, que nesse mês lançou o disco Vista Pro Mar. Capixaba esforçado, Silva dá a impressão de que junta MPB e Pop num só com uma graciosidade que dá certo. Mas e aí, será que Vista Pro Mar faz jus à essa imagem?


Se você é adolescente ou jovem adulto que frequenta a Terra do Nunca como nós, vai identificar sua personalidade nas letras do Silva. São bem montadas, poéticas e cintilantes, daquelas que você consegue cantar pro seu interesse romântico e entender o significado que muito tem a ver com sua realidade. É o caso das letras do Vista Pro Mar, pela gravadora Slap. A composição é suave e melódica, o foco fica mesmo nos instrumentos. Se no primeiro álbum, Claridão (2012), ele se apresentou um pouco melancólico, parecendo cantar para a Lua, nesse, o Sol chega e o leva a cantar com mais otimismo.

Silva trouxe Vista Pro Mar após uma curiosa vivência na Flórida, com toda aquela vibe californiana que a gente pode encontrar em The O.C. e outros seriados teen. Claramente inspirado por João Donato, Frank Ocean e outros nomes de peso da música old school, Lúcio da Silva Souza do Espírito Santo faz música brasileira que vai muito além de "Beijinho no Ombro", "Show das Poderosas" e sucessos enlatados.





O Folk anterior dá lugar a um Synthpop mais produzido logo na primeira faixa, "Vista Pro Mar". A letra é gostosa, com sax e refrãozinho injetando otimismo. Aconselho a ouvir pela manhã, por ser altamente inspiradora. E a letra? "Eu não nasci do mar, mas sou daqui. Já mergulhei pra não sair. Quem é de preamar se encontra aqui. Não há mais maré-baixa em mim. Eu sou de remar. Sou de insistir, mesmo que sozinho...", prosa jovem deliciosa, dessas que a gente faz no ensino médio. Ainda nessa vibe, temos "É Preciso Dizer", que ganhou clipe em preto e branco, super conceitual, com a modelo Sofia Leitão. A letra ainda é fofinha, cheia de sensações. É isso que o álbum começa a apresentar: sentimentos como se tomassem vida.





Particularmente favorita, "Janeiro" é uma carga extra de positividade ("Não dê bola, o dia tá lindo, vem pra fora mesmo fingindo..."). A beleza que essa faixa traz, até num ar arquitetônico de tão bem montada, dá sensação de que você está ouvindo uma música cuidadosamente trabalhada e jovial, que no final é a cereja do bolo ("A gente pode sem medo. Se pertencer. O amor é cego, mas hoje eu posso ver tão bem"). E o que é o saxofone fechando a música? De arrepiar!





"Eu vi o sol fazer a curva. Riscou. Tingiu de rosa o entardecer". Essa é a introdução de "Entardecer", que ainda segue otimista, mas com um ar mais lento que o habitual, ressaltada em sintetizadores maravilhosos lembrando uma música dos Temples. O Mar está presente em todas as músicas, mais acentuado em "Okinawa", com participação de Fernanda Takai. "Já deu a hora, não me conformo. O mar não é de calma. A calma é um naufrágio. E é tudo um desencontro..." abre a música, que se torna mais escura em sua letra, mas com a participação da Fernanda surpreendentemente vai ficando alegre, levando ao tom vibrante de "Disco Novo", que é maravilhosa em muitos sentidos. Nessa faixa, vemos claramente a influência americana e lembramos de paisagens praianas com uma facilidade assustadora. Todo mundo tem a hora de virar o disco ou de fazer um disco novo. Nada mais justo.

Falando de relacionamentos, voamos para "Universo", com letra bonitinha e sintetizadores "mágicos". Tem uma pegada anos 80, mas com a voz de Silva somos trazidos de volta para 2014. Seguida por "Volta", com uma intro curiosa (adorei os backing vocals a la Rare Krishna), falando de amor também, mas com os assobios deliciosos e olhar oriental vira musicão. Na curva vem "Ainda", focada no violão e vocal. Tão suave e solene com essa letra maravilhosa, impossível não viajar. Vamos voltar pro Mar em "Capuba", que tira a melancolia da faixa passada e traz a festa de novo. Silva até arrisca numa pegada mais disco com os sintetizadores, mas logo vai pra zona de conforto, o que é ótimo. Tudo pronto pra fechar o disco com "Maré", da mesma maneira que começou: no Mar.


NOTA FINAL: "Eu trouxe um disco novo. Já é algum começo. Vamos, venha ouvir. Você precisa ouvir!". Essa paixão de Silva pelo oceano é inspiradora. Sinonimo de fertilidade e vida abundante, o mar reverenciado ao lado de paixão, amor e questionamentos, só mostra a alegria desse cantor misturada aos seus dramas, vivências e descobertas, o desenhando como um grande marinheiro. Como eu e você, em terra de Anitta e "Lepo Lepo", podemos respirar em paz por um tempo (nossa música pode ser boa sim!). É daqueles álbuns que indico sem problema algum, sem filtro algum, sem compromisso algum.

O único contra é que, pra quem não curte, pode soar ritmado pelas letras ingênuas e pouco sofisticadas, "bonitinhas". O ritmo menos agitado também pode deixar a desejar para os amantes dos ritmos contagiantes. Algo é certo: pelo menos uma das músicas vai grudar na cabeça. Que bom que o Mar trouxe pra gente um cara cheio de ideias férteis para devolver vida à nossa música. E o melhor? Canta em português brazuca!




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