Carregando...



Conheci no Grindr: Taurino

relato+romance+grindr

Acredita que meus amigos ainda têm preconceito em usar o Grindr? Já falei nesse post que não há vergonha por manter um perfil aberto para relacionamentos — ou só sexo. Tive muita sorte, conheci muita gente interessante e vou compartilhar essas histórias contigo, pra te inspirar a se abrir para as possibilidades.

*Obviamente, nomes serão substituídos por títulos que definem esses relacionamentos de uma noite, de simples conversas a momentos mais quentes. Nada aqui é +18, ok?


Me relacionava com heterossexuais e gringos porque não queria compromisso, responsabilidade sobre sentimentos de alguém e, mais ainda, queria limitar o quanto poderiam cuidar de mim, já que aprendi a ser independente desde pequeno. Quando percebi o que estava fazendo (fugindo de carinho), resolvi conhecer gente para algo sem nome, porém mais respeitoso e honesto, baseado em real amizade.

Numa madrugada, conheci o Taurino. Claro que atração de Grindr acontece por aparência: minha queda por homens mais altos e mais velhos (ele com 30, eu com 20) fez com que levasse a conversa à frente. Ele disse que estava fumando maconha sozinho, no apartamento que dividia com um amigo na Barra da Tijuca (RJ), e imaginou alto que se eu estivesse lá, seria bem mais divertido. Com o convite semi-aberto, perguntei:

— Posso ir praí?


Às duas da manhã, saí de casa. Quando desci do ônibus, me pegou de carro, chapado, e sorriu feito criança quando mostrei os biscoitos para matar a larica dele. Quando reparei no corpão de academia, dentes brancos e papos superficiais sobre a agência de casting que administrava, pensei: "é um McLanche Feliz: vou pegar o brinquedo e ralar peito". Aí as surpresas começaram: espiritualizado, alto astral, tinha acabado de sair de um relacionamento conturbado e ouvia a tudo que eu falava com atenção.

Ficamos abaixo de zero no quarto, o ar-condicionado me matando de frio e ele lá, fumando, fumando, fumando a ervinha. Por educação, dei uma tragada, mas não estava ali pra isso — não queria fazer nada chapado. Perguntei o que gostava de assistir e ele apontou para os boxes de The Vampire Diaries, Supernatural e Glee na estante — o que achei desproporcionalmente curioso para um cara do tamanho e arquétipo dele. Sobre música, pediu pra eu colocar uma preferida.

Delicate, do Damien Rice.

Taurino se encheu de luz: me mostrou "O", o CD que lançou essa música, e disse que Damien Rice era seu cantor preferido. Outra coincidência na noite. Depois que parou de fumar e só aproveitou a onda, conversamos sobre nossas personalidades e relacionamentos passados. Éramos idênticos na maneira de pensar. Perguntou meu signo: "virgem". Comemorou de novo: "sou taurino. Virgem com touro formam o casal mais sólido, sabia?". Sabia. Ele não era meu primeiro taurino — e todos foram os melhores relacionamentos que tive.


Pouco antes do Sol nascer, perguntou se eu gostaria de fazer um piquenique no chão do quarto. CARACA! Era o tipo de coisa que sempre amei fazer (e vocês que leem o DDPP sabem disso)! Pra melhorar, falei pra gente construir uma cabana de lençóis. Apagamos as luzes, fomos pra debaixo da cabana, comemos e, na hora de tentar dar o biscoito na boca do outro em tanta penumbra, nos beijamos. E nos amassamos. Nos mordemos. Rimos. Ficamos sérios.

E dormimos de conchinha: ele gigante e quente, eu magrelo e frio. Eu vampiro, ele lobisomem. A gente não passou dos beijos e, ainda assim, estávamos satisfeitos. De manhã, me tratou bem, fez Nescau com sanduíche quente, mas faltou aquele carinho morno da madrugada. Era como se tivesse se arrependido de ter ficado comigo.

Antes de me levar ao ponto de ônibus, disse que marcaríamos de sair, de fazer maratona de séries e que me ensinaria a surfar. Três dias depois, Taurino me excluiu do Facebook.


Tem história romântica de internet/app pra compartilhar?
Fala aí nos comentários!


camisa+signo+touro+zodiaco


FacebookYoutubeTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos