Carregando...



Opostos se esbarram: quando amamos quem não tem nada a ver conosco


Minha maior experiência romântica conseguiu ser, também, a mais traumática: éramos o oposto um do outro. Em tudo! Exceto no que sentíamos. O ditado clichezão está errado: "os opostos se atraem" deveria ser substituído por "os opostos se esbarram", pois a dificuldade de manter um relacionamento saudável com quem não chega perto de compreender quem somos, não é ultrapassada só com amor.

opostos+atraem+repelem+namoro

amor não é tudo, mas é 70%

Claro que amar motiva a tentar, de todas as maneiras plausíveis, manter o relacionamento proveitoso. Porém, estamos falando de duas pessoas completamente distintas em gostos, atitudes, visões políticas e maneira de enxergar a vida. Nesse caso, amor é o que mantém unidas duas criaturas que:

(a) vão se decepcionar constantemente porque o outro não pôde atender às expectativas fantasiadas;

(b) vão brigar por motivos mínimos, por coisas que não fazem parte direta da vida romântica/sexual (como política, filme ou música);

(c) vão especular como seria amar uma pessoa mais parecida nos gostos (o que pode ser estopim para "traição sem intenção", a partir da vulnerabilidade emocional).

Portanto, quando uma rotina começar a ser montada, será necessário mais do que amor para compensar o que um faltar no outro, pra evitar raiva ou melancolia a cada sessenta minutos.


empatia, 10%

O segredo para equilibrar uma relação assim, além do carinho absurdo que precisará ser recíproco, é praticar empatia. Se colocando no lugar do outro, tentando imaginar como suas atitudes o atingem, fica mais fácil fechar a boca antes de falar besteira, ajudando na hora certa de abrir os braços e apaziguar o clima.

opostos+casal+briga

maturidade, 10%

Falando em fechar a boca, maturidade é quando aprendemos que, antes de falar, precisamos nos ouvir mentalmente, analisar a discussão: "a gente vai a algum lugar positivo com isso? Ou só vamos ficar socando a cara um do outro até cansarmos, fazermos as pazes e transarmos como na primeira vez?" — o lado bom entre opostos é que sexo de reconciliação converte toda a raiva em paixão. Se a resposta for negativa, aprenda a se calar. E por mais que queira, não tente calar o outro.


pés no chão, 10%

Aproveitando a capacidade de se colocar no lugar do outro (empatia) e da recente lição de que silêncio fala mais do que gente gritando (maturidade), é preciso aceitar que há um limite até onde você ou seu parceiro podem ir sem se sentirem abusivamente desconfortáveis ou irritados. Com isso em mente, evite:

(a) cobrar demais;
(b) gerar expectativas impossíveis de serem atendidas pela pessoa;
(c) prometer o que não puder cumprir;
(d) não cumprir o que prometeu.

casal+briga+opostos

considerações sobre a relação

Apesar de dizerem que precisamos "sacrificar" certas coisas em nós para que relacionamentos funcionem, a experiência não deve ser dolorosa o tempo todo. No meu caso, éramos tão opostos mas nos amávamos tanto, que parecíamos duas bolas de espinho se atraindo magneticamente, se espetando contra a vontade: nos repelíamos acerca de comportamento, filosofia, política, "regras do namoro" e lazer. Na hora do beijo, nada disso existia — mas não dá pra passar a vida apenas beijando na boca, né?

Por isso, avaliem juntos e, mais importante, separadamente, se vale a pena continuar. Suas essências  não mudarão, mesmo que alguns gostos se transformem e que não acordemos todos os dias como as mesmas pessoas. Se perceberem que a única coisa os segurando juntos é o amor, e suas frustrações/brigas acontecerem com frequência "anormal", tentem retirar o aspecto romântico do namoro: o que sobraria? Duas pessoas que não poderiam se tornar amigas? Indiferentes?

opostos+atraem+gay

Quando falo de retirar o aspecto romântico, é deixar fluir, naturalmente, o estabelecimento do amor fraternal. Esse tipo de amor é o mesmo que você sente por um irmão, melhor amigo ou seus pais, sem complicações ou obrigações que vêm no status "namorando". Às vezes, o problema pode ser esse: sentir que, pela outra pessoa estar num compromisso contigo, ela tem a obrigação de "sacrificar" mais coisas por você, assim como é seu o direito de cobrá-la o tempo todo — e vice-versa.

No fim, eu e meu namorado preferimos terminar. Não foi fácil pra nenhum dos dois e o amor continua aqui, se tornando fraternal aos poucos, sem perder o significado magnânimo que se findou. Percebemos que nos esforçaríamos além de nossa saúde, para níveis de estresse que teríamos num emprego ruim, por exemplo, nos levando a aceitar que, talvez por enquanto, não possamos ser namorados.


Aconteceu contigo? Tem história pra contar?
Compartilhe nos comentários!


FacebookYoutubeTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos