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Conheci no Grindr: White Knight

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Numa dessas, conheci Carter: skatista, surfista, mil metros de altura, quarentão e vermelhão. Mal acreditei que eu, molequinho, tinha fisgado esse monstro. Carter foi meu primeiro gringo e um dos caras mais legais que conheci nos apps de relacionamento. Nossa noite foi inesquecível, venha ler!



Quarto 101. Respiro. Ele é o tipo de cara que você não encontra disponível no Grindr. Um cara assim nem está no Grindr. A gente se conheceu no Planet Romeo e com pernas do tamanho de um avião na jeans rasgadinha, a camisa apertada no corpão de estátua e um boné virado pro lado como cereja num sundae rosado do sol de New York, o que mais eu poderia querer?

Quarto 101. Tá acabando G.I. Joe e ele tá tímido. Sempre sou o safadinho sorridente que pergunta sacanagens inteligentes e faz o jogo de inocente, só pra rimar. Mas hoje perco a virgindade. Vou ter vontade, preciso ser normal, todo mundo transa, menos eu (e já tenho 19 anos!). A gente fala de super-heróis, bullying e cinema. Ele pergunta o que quero fazer e eu me pergunto quando ele vai me beijar. À uma da manhã, vamos no mercado.


Rua Francisco Otaviano. Mercado Zona Sul, cookies, suco de açaí e uma garrafa de 51. Digo que ele precisa tomar. Diz que não bebe por causa da vida saudável que leva. Reforço: "hoje você vai beber". Ele ri e ainda não sei por que diabos não nos beijamos.

Quarto 101. Ele tá sentado na cama, eu vou pro chão. Gosto de chão. A primeira dose de 51 entala nas nossas gargantas. Ele faz caretão, sorri e pega mais uma dose. Ele sacou minha vibe. Depois a gente mistura com suco. O chamo de pussy, mulherzinha, a noite toda. Pra desafiar, me puxa pela gola da camisa e me beija. Adeus, chão.


Cama. Tá passando Os Simpsons, mas foda-se: ele tá me beijando do jeito que gosto e isso é inacreditável demais. Deus, deixa o Carter morar na Terra pra sempre? Não leva essa divindade de volta pro Paraíso! Agradecido. Antes das cinco da manhã, estamos só de cueca e não quero passar disso. Explico:

— Não curto o que garotos deveriam curtir. Juro que tô tentando, mas não consigo. Não consigo.

— Tudo bem... — me encara, navegando os dedos na minha pele. — Você é lindo, mas seu corpo é tão gelado... Você é vampiro?

Minha mente. Acho que sou vampiro. Ele não é o primeiro a notar, mas é o primeiro a dizer com os olhos tão brilhantes... Ele parece muito curioso sobre mim. A gente conversa e se pega, se amassa. Ele é gigante e eu sou um graveto.


Cama. Passa das sete da manhã. Ele tem espasmos por causa da academia e não consigo dormir de conchinha. Quando o largo, Carter acorda e pede para que o abrace. Nunca achei que ficaria excitado com um cara doce. Passeio pelas tatuagens nas costas, nos braços, nas laterais do corpo, na nuca. Lixo minhas unhas nos espinhos que são os cabelos raspados crescendo na careca loira.

Arpoador. Me convida para o café da manhã, digo que vou pra casa. Pergunta se posso aparecer amanhã, pois voltará para NY em dois dias. Digo que talvez. Afirma pela quinta vez que me quer em New York e eu rio por dentro: "até parece que tenho grana pra isso, seu rico gringo-gato-gostoso". Ele me chama de hippie, o chamo de Dark Knight. Carter me corrige, rindo: 

— White Knight é melhor. Ou Pink Knight — por causa do tom da pele.

Ele paga uma água de coco. Eu pago o ônibus.

A cena do crime!

TEXTOS ADICIONAIS



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