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Nonô, minha mãe

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Nossa Wendy brasileira!
Nonô, minha mãe

Nonô é como todo mundo chama Noely, minha mãe. Esse post é uma homenagem para a Wendy brasileira dos garotos e garotas perdidos. Sem ela, eu não estaria aqui e, consequentemente, eu e você nunca teríamos nos conhecido. Você, como filho do filho do filho, também precisa dar parabéns a ela!

***

Tem horas que acredito em deuses. São momentos em que afirmo "caraca, não pode ser  coincidência". Não parece que seja, afinal, sou filho biológico de uma mulher que não conheci e que partiu pra Espanha antes de eu abrir os olhos. Tanto que o único colo que me lembro é o de minha única mãe, a Nonô. De todas as pessoas do Rio de Janeiro, fui parar no peito dessa moça com cara de louca do desenho acima. Ela me ensinou tudo que eu precisava para me tornar um bom ser humano — ou, no mínimo, ter vontade de tentar.

Parece que há um plano pré-definido sobre as nuvens — "esse espiritozinho egoísta se chamará Enrique e vai parar numa família cheia de complicações pra aprender a compartilhar, desapegar dos bens materiais e amar além de quaisquer limitações vocabulárias humanas". Ei, aqui estou, 21 anos depois (22 daqui a dois dias), morando com minha ídolo, a heroína que não usa capa ou tiara mágica, mas teve de limpar casa de estranhos para me dar o que comer, com o que brincar e a segurança de que eu poderia ser quem eu quisesse.


Quando ela me passou essa lição, passei pra ela a ideia de que nunca é tarde para corrermos atrás do que amamos, porque não parece vida levantar da cama feito um zumbi só pra ganhar dinheiro e gastar com coisas que não importam tanto quanto a possibilidade de estarmos com quem precisamos. Aí ela parou de limpar casas. Com luta, superou a depressão. Com garra, tomou um pulo de fé pra fazer o que gosta: cozinhar. E quando tudo parecia bem, ela alcançando uma das vontades que nutria (ninguém cozinha como ela, por sinal), eu me senti um peso.

Quem não se sentiria? Abandonei faculdade e emprego para abrir um blog, um vlog, e voltar a escrever livros enquanto ela trabalhava, me dando base pra fazer o que faço. Me senti usurpador. Perdedor, nojento, inútil. Me perguntava o tempo todo "e se eu nunca der certo na vida, o que vai ser da minha mãe? Ela me acha um desgosto? Se achasse, diria?". Eu não queria abandonar meu sonho de fazer o DDPP crescer, mas não queria ser um vampiro também, sugando de minha mãe o dinheiro que ela deveria gastar com ela! Aqui eu tentei suicídio e sobrevivi. E, por alguns instantes, acreditei em deuses de novo.


Quando voltei à vida, em vez de xingar, minha mãe sorriu e perguntou se eu queria um sanduíche. Depois de uma semana inteira cuidando de mim, drogado e desconexo, esperou que eu fosse a ela contar o porquê de ter feito aquilo. Me deu espaço porque sabia que de todos os meus amigos, ela é o que mais amo — olha a sorte que tenho, posso afirmar que minha mãe é minha melhor amiga.

As brigas diárias aos 15 anos, as vezes em que joguei na cara dela que não era minha mãe de verdade e que não poderia mandar em mim, e todos os momentos que deixei de acreditar em mim para não acreditar em mais nada, foram necessários para reconhecer o valor da amazona que me protege com escudo, espada e uma bondade que nunca vi igual. Com ela, aprendi o poder do perdão, o prazer de dividir, a capacidade de fazer o que quiser — desde que não faça mal a ninguém — e que o amor de mãe jamais será compreendido pela ciência.


Muito menos pelos homens, pois não importa se biológica ou não, mãe é mãe. É uma escolha, mesmo que não pareça. É uma opção que desencadeia um processo intuitivo. Essa mulher, essa Noely, nossa Nonô, é meu oxigênio. É minhas galáxias e meu eixo gravitacional. Foi com ela que tive noção do que viver significa, mesmo que um dia não viva mais ao meu lado. Sempre sorrirei pela oportunidade inefável de ter vivido ao lado dela, de não perder tempo chorando pela falta.

Nosso amor é um vírus inerradicável. Minha admiração e orgulho por ela funcionam do mesmo jeito. Sou 70% água e 130% Noely, fisicamente carne e emocionalmente magia. Nessas horas queria acreditar em deuses de novo, pedir que fossem justos e dessem para todos os filhos que existem uma mãe tão boa quanto a minha, porque o que me faz agradecer todos os dias é saber que temos um ao outro, eu e ela, enquanto muita gente não tem ninguém.

Tudo que vocês gostam em mim, em tudo que faço, foi ela quem ofereceu.

Feliz aniversário, minha velha.
Te amo pra sempre (e esse é o único pra sempre que sei que é pra sempre).

- Enrique, seu filho.

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