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Arcano V, O Hierofante

Como interpretar o arcano 5?
Como ler tarot - Arcano V, O Hierofante

Assim como O Imperador é indispensável para nossa formação cívica e construção do caráter, O Hierofante (mais comumente chamado O Papa ou O Grão/Sumo Sacerdote em alguns decks) tem o mesmo papel, só que no campo espiritual. Esta é a carta das crenças, tanto religiosas quanto pessoais. Ele é representado como um homem santo, e isso independe de suas crenças pessoais — por isso prefiro o nome Hierofante. Chamá-lo de Papa traz uma carga religiosa pouco interessante, uma vez que o Papa se refere a uma posição conquistada em uma igreja especifica, e no tarot estamos falando de um arquétipo.

O Hierofante é aquele que tem conhecimentos "proibidos" ou "secretos". Cada homem e mulher é um hierofante, mas sua representação mais assertiva é a de um grupo/instituição, pois seu poder e o do grupo transforma o mundo (repare, n’O Imperador você aprendeu a viver em sociedade seguindo as regras de um mundo ideal mantido pelo Imperador, aqui você usa o poder conjunto para mudar o mundo). Também diferente d’O Imperador, as pessoas não seguem O Hierofante por serem assim ordenadas. Seguem-no porque são parte do grupo e acreditam em seu líder (o que geralmente acontece em grupos religiosos).

Tarot de Marselha e Tarot Universal de Waite - Como ler tarot - Arcano V, O Hierofante
Esquerda: Tarot de Marselha. Direita: Tarot Universal de Waite.

Para O Hierofante o bem-estar de muitos se sobressai ao bem-estar do indivíduo — o que foi interpretado no Tarot Mitológico como empatia. Assim como O Imperador é leal às suas leis, O Hierofante é leal às tradições. Ele se encarrega de manter e propagar a tradição e as crenças convencionais e esquiva-se de tudo que vai contra as mesmas. Aqui é um ponto importante a se observar — o chamaremos de Papa neste exemplo: o Papa é o cargo mais alto dentro da Igreja Católica, representando o ápice de poder nesta instituição e, consequentemente, o ápice de conhecimento em seu oficio. Porém, também é um limitador. Ser um grande especialista em determinado assunto também significa se limitar para o resto. No Tarot Universal de Waite isso é chamado de “ortodoxia convencional”.

O Hierofante também é um mestre, e uma função importante de todo líder espiritual é iniciar e ensinar os outros, apresentando-lhe seus costumes e tradições.


TAROT DE WAITE x TAROT DE MARSELHA

As figuras d’O Hierofante do Tarot Universal de Waite e do Tarot de Marselha são praticamente as mesmas, variando apenas no nível dos detalhes. Em ambos os decks, O Papa está sentado em meio a dois pilares (pilares do conhecimento, pelos quais o discípulo deve entrar para receber os ensinamentos), as vestes e o chapéu coroando-o, representando espiritualidade. Ele segura a cruz tríplice denotando necessidade de iniciar o estudo nas coisas espirituais e esotéricas. Figuras infantes se postam à frente dele, prontos a receber instruções. Elas representam tanto o potencial positivo e negativo, quanto a inocência da nova geração pronta para receber segredos de uma velha tradição


TAROT MITOLÓGICO

O Hierofante no Tarot Mitológico
Diferente dos arcanos anteriores, quem representa o Hierofante não é um deus, mas sim um centauro. Quíron, rei dos centauros, que foi professor de Héracles (Hércules), Aquiles e de outros heróis da mitologia grega. Filho de Ixion com uma nuvem transmutada como Hera (sim, uma nuvem), foi criado por Apolo e Artemis, educado nas virtudes da sabedoria e profunda espiritualidade. A despeito dos outros de sua espécie (que geralmente é retratada como selvagem), Quíron era culto e pacífico, representado na carta por suas feições serenas e o pergaminho na mão — enquanto a mão direita está erguida em um antigo sinal de benção. Está ladeado por pilares de pedra que sustentam uma caverna que serve de templo — templo natural em vez de uma construção humana, não servindo como local de contemplação para que o ensinamento, seja qual for, tenha significado apenas se aplicado na vida cotidiana. Ao fundo da caverna, iluminando Quíron, um raio de luz.

Quíron, além de grande professor, era um curandeiro excepcional (arte ensinada a ele pelo deus Apolo), conhecedor dos segredos das ervas e plantas medicinais. Entretanto, segundo um de seus mitos, foi acidentalmente ferido por Héracles com uma lamina banhada em veneno da Hidra de Lerna. Por mais que tentasse nunca foi capaz de curar a si ou remover o veneno da hidra, e como um imortal, foi condenado a viver em sofrimento — o que lhe fez se concentrar aos ensinamentos espirituais em detrimento aos gozos materiais.

Essa ideia de curandeiro ferido é a essência do que comentei lá em cima: empatia. Viver em dor lhe fez compreender melhor aqueles que estão em dor, conseguindo enxergar além daqueles que simplesmente se confortam com sua sina. Desta forma, o verdadeiro mestre está sempre aberto para as dores do mundo porque ele também as sofre. Ser curandeiro e ferido não é seu único paradoxo. Como ser racional (homem) e besta (cavalo) ele também é capaz de compreender e compartilhar tanto o instinto como o espírito, contendo a dualidade própria da condição humana

Significado: Ortodoxia. Apego às formas externas, ao convencional. “Talvez o modo tradicional seja a melhor saída”. Necessidade de seguir normas. Um mestre a surgir para ensiná-lo.

Invertido: Rompimento do convencional. Hora de tentar algo novo, original. Manter a mente aberta, aceitar novas ideias e novos modos.

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