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Eu e as drogas

Eu e as drogas
Sem tabu.
Eu e as drogas

Nunca consegui viciar em nada além do hábito de escrever. Quimicamente, me considero imune a muitas drogas comuns, como cigarro e álcool. Psicologicamente, gerei dependências de aventuras que envolviam um kit especial: noite, música, álcool e uma dose de perigo. Experimentações fizeram parte de todo momento, por isso quis falar sobre drogas hoje, sem tabu.

Não sei se não fumo mais maconha por ter de comprar do tráfico ou por não querer tornar algo tão poético ordinário — o que fiz com o álcool. Bebidas são minhas drogas favoritas. Aos 16 anos, não sabia o que era ressaca. Aos 22, não apenas sei o que é ressaca como descobri que a ressaca moral não vale a diversão da noite anterior. O problema todo, pra qual droga for, é o exagero: a gente não sabe ficar na medida.

Particularmente, acho o uso de drogas recreativo muito bom. Algumas são ótimas de usar — tive uma de minhas melhores ondas usando coisas que você pode achar em casa — e, na quantidade certa, podem impulsionar sua atenção, criatividade e relaxamento. Outras drogas a gente nem deve tocar, como o cigarro ou cocaína, pelo risco do vício químico (quando seu corpo precisa da droga contra sua vontade).

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Respira.


Quando publiquei fotos fumando tabaco, fui crucificado por fazer apologia às drogas. Claro que tenho noção da minha influência sobre quem acompanha minhas redes sociais, e não tenho justificativas para me defender porque não preciso. Se a vontade de experimentar estiver na pessoa, ela vai fazê-lo independentemente de eu postar ou não uma foto de minhas experiências.

Talvez por não conseguir me viciar quimicamente, pra mim tudo é fase. Tive a fase de beber todos os dias, de fumar maconha todos os dias, de hiperdosar remédios, de beijar na boca de estranhos e almoçar hambúrgueres no McDonald's direto. Essas experimentações foram necessárias para eu saber que hoje não gosto de não ter controle sobre mim. Não gosto de estar numa festa e um cara pedir pra eu fazer sexo oral num cantinho escuro por me ver destruído.

Se influencio alguém a alguma coisa é ao "faça o que quiser, desde que não cause mal a ninguém". Saiba que ao comprar maconha no tráfico você dá dinheiro pra bandido, mas também saiba que ao pagar impostos você também está dando dinheiro para bandidos (os de colarinho branco). Não que um se compare ao outro, mas há a contraparte de toda atitude. Prefiro que você tenha suas experimentações cedo e já saiba do que não gosta e como se controlar do que ficar cheio de curiosidade no futuro e se afundar de uma vez só, exagerando.

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Vermelho Campari.


Tenho conseguido maneirar na bebida a ponto de ficar alegre, me divertir pra caramba e acordar bem. Desde que sobrevivi à minha tentativa de suicídio percebi a importância das drogas na minha rotina: equilíbrio. Tentei cortar o álcool, o café, minhas noites na rua fumando um beck oferecido por alguém (porque não compro), porém cortar não é a chave, como falei no artigo Libere seus demônios: razões para fazer merda vez ou outra.

A chave é maneirar o quanto você ingere. E maneirar sua consciência para não comprar drogas ilícitas de gente que vai fazer mal pros outros — se for comprar maconha, compre de algum hippie que plante em casa. Mas não deixe de experimentar se bater a vontade. Saiba que o risco disso é se tornar um hábito, e todo hábito que não controlamos faz mal. Exagero faz mal. Uma vez ou outra é ótimo, mas ficar chapado ou bêbado todo dia é uma fuga.

Você que fuma e bebe o dia todo pode discordar de mim, dizer que só quer relaxar, e eu acredito. Minha opinião é que qualquer tipo de entorpecimento frequente, mesmo que seja comendo para acalmar os nervos, é uma maneira de desligar teu "Eu" e deixar o tempo correr de uma maneira "mais fácil". Você tem o direito de fazer o que quiser — desde que não faça mal intencional a ninguém, como já conversamos —, mas evite fazer mal para si.

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Minha tarde de sábado foi dedicada ao relaxamento. Domingo é da literatura.


Quanto mais crio espaço entre um uso e outro, mais parece que estou usando a droga pela primeira vez, o que é muito bom. Não só por isso: sei que quando decido não usar porque tá todo mundo usando e escolho o momento que eu quero usar, fico consciente de meu corpo, mente e desejos. Em momentos assim, sou eu transcendendo para além de todas as minhas consciências.

E sóbrio as fuck.

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