Carregando...



Minha 1ª vez como ativo: estereótipos e condicionamento

Minha primeira vez como ativo gay
Bora conversar?
Minha 1ª vez como ativo: estereótipos e condicionamento

Antes de enraizar a cultura do "passivo ou ativo?" me considerava assexuado — o que não era exato, pois tinha desejo sexual, mas ele se expressava de maneira menos clássica através da gouinage. Como não entendia por que eu não era igual a todo mundo e preferia preliminares à penetração, me apelidaram de frígido. Aceitei por não ter etiqueta melhor pra usar.

Depois que comecei a sair com caras mais experientes, geralmente mais velhos, mais fortes e maiores do que eu, automaticamente me colocaram na categoria de passivo. Não que eu praticasse o ato sexual como passivo, mas no que diz respeito a ser pegado no colo, submetido à força do parceiro e dominado fisicamente com facilidade, o clichê ensinou que eu deveria ser o passivo.

Até meu terceiro namorado aparecer e dizer que eu não era passivo. Como um cara grande não é necessariamente ativo, eu, por ser magro e mais fraco, não precisava ser passivo por ordem. Independente de ser um ou outro (ou ambos), não haveria vergonha em admitir que preferiria tomar no bumbum se eu gostasse. Sexo é sexo, prazer é prazer e, comumente, é algo para se fazer entre duas pessoas e quatro paredes.

Enquanto a gente transava (do jeito gouine de transar), ele me disse: "você é ativo". Mas por quê? Eu não tinha vontade de penetrar ninguém, muito menos de ser penetrado. Só de pensar em penetração eu já ficava meio brocha... "Não, não tô falando disso, Enrique. Tô falando da sua personalidade. Você é bem ativo". Afinal, de acordo com ele:

Minha 1ª vez como ativo: estereótipos e condicionamento
prefiro receber a fazer sexo oral;
prefiro mostrar do que gosto em vez de descobrir do que o outro gosta;
sou controlador;
sou controlador;
sou controlador.

Então ser ativo é sinônimo de ser egoísta? É, é sim. Quando fui ativo pela primeira vez, fui também passivo pela primeira vez de maneira completa. Com toda paciência do mundo, ele fez em mim. E foi horrível. Não vou dizer que doeu porque esse cara sabia o que estava fazendo — e eu precisava da experiência —, mas não é, definitivamente, meu tipo de sexo.

Depois pediu para eu fazer nele. Me perguntei "por que não", pois, até então, eu ainda acreditava que era passivo por causa do meu tipo físico e comportamento. Fiz até o fim e me senti um pouco envergonhado por penetrar um cara duas vezes o meu tamanho. Parecia tão errada essa quebra de estereótipo que quase fui embora. Depois que ele chegou ao orgasmo sem tocar no pinto, tudo fez sentido.

Não acredito em totalidade na cama. Ninguém é 100% ativo, passivo ou gouine. Podemos ser 99%, mas 100% não. Quando nos relacionamos com alguém que ultrapassa a repetição do entra-sai-entra-sai, a mente e o ambiente influenciam em como a libido vai estourar. Sem falar dos momentos em que quereremos dar prazer ao outro em vez de buscar apenas o nosso.

Descobri ali, com cãibra na coxa, que sou predominantemente gouine, casualmente ativo, casualmente passivo e 100% humano. Reafirmei minha preferência por garotos que não exclui minhas paixonites por meninas e colori uma nova página da minha existência.

Nos aplicativos de relacionamento, quando um cara pergunta "curte o quê? Ser ativo ou passivo?", eu respondo logo: "Gente que não pergunta nada e deixa rolar". Se uma indireta ou soco na cara, já não quero saber. Busco uma intimidade que fala por si, experimentação. Química. Não vou engolir nenhum condicionamento estúpido.

Muito menos acerca de minhas sexualidades — assim, no plural.

FacebookYoutubeTwitterConheça o autor

Comente com o Facebook:

Últimos Artigos