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Arcano VI, Os Enamorados - Como ler tarot

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Arcano VI, Os Enamorados - Como ler tarot

Outra carta que geralmente denota aspectos positivos quando sai em uma tiragem — mas, claro, como a vida não é harmoniosa, um bom começo não significa necessariamente uma boa conclusão. Os Enamorados (ou Os Amantes) geralmente representam amor e sexualidade, porém, acima de tudo, dualidade. Particularmente, gosto de dar como a principal interpretação deste arcano um momento de escolha, eleição.

Mas comecemos na simbologia da união harmoniosa de dois seres, o amor — sabendo que o amor expresso aqui tem muitos significados. Como toda paixão, há possibilidade de um final triste, apesar do melhor dos começos; pode ser um amor obsessivo, um amor que consuma ambas as partes; pode ser um amor maravilhoso, um amor profano, um amor não correspondido... Esta é uma carta dualista, espírito e mente, positivo e negativo, razão e emoção, e obviamente, masculino e feminino. A dualidade também esteve presente nos arcanos anteriores, mas não de maneira tão clara quanto n’Os Enamorados. É por isso que a ideia de escolha está tão associada a esta carta (mais até que a ideia de equilíbrio).

Devemos considerar todas as consequências antes de atuar, sejam situações simples ou vitais. Tudo tem consequências, as quais podem ser infinitamente superiores à ação inicial — efeito borboleta, não é mesmo? Sabendo disso, é evidente que em momentos tão difíceis de eleição, um guia superior se faz necessário.

COMPARAÇÕES
 O Tarot Universal de Waite possui uma das representações mais belas e simbólicas deste arcano. Um homem e uma mulher, nus numa paisagem que apresenta uma figura divina no céu e duas árvores ao fundo. O homem olha para a mulher, que por sua vez olha para a figura divina entre eles. O homem não pode ver a figura angélica — pois o arquétipo masculino é racional, lógico — então ele confia na mulher — o arquétipo feminino é emocional e intuitivo — que verá por ele. A mulher (inconsciente) funciona como uma ponte entre o plano espiritual e o homem (consciente).

Arcano VI, Os Enamorados - Como ler tarot
Esquerda: Tarot de Marselha. Direita: Tarot Universal de Waite.

Por esta razão, no Tarot das Bruxas de Ellen Reed, este arcano é interpretado como um momento de conscientização. Aqui o consulente toma consciência de suas partes masculina/racional/consciente e feminina/emotiva/inconsciente, e usa estas partes para acessar um Ser Superior, que não é necessariamente externo (uma divindade ou um anjo), mas pode ser uma parte mais evoluída de nós mesmos. Outro ponto interessante a se observar no desenho são as árvores atrás de cada figura. Ambas vêm de passagens bíblicas. Atrás da mulher, uma árvore frutífera com uma serpente enrolada no tronco — referência à Árvore Proibida e o episódio em que, enganada pela Serpente, Eva come do fruto e dá a Adão, onde ambos tornam-se conhecedores do bem e do mal. Atrás do homem, uma árvore sem frutos ou folhas, em chamas, qual interpreto como a árvore chamejante pela qual Deus falou com Moisés quando o ordenou para libertar seu povo do Egito e levá-los à Terra Prometida. Ambos momentos de escolha que tiveram consequências a níveis inimagináveis.

No Tarot de Marselha, mais uma figura é acrescida, provavelmente uma autoridade que veio confirmar a união cívica da mesma maneira que a figura angélica abençoa o casal à nível espiritual — aqui representada como um cupido. A figura central veste listras. Ele representa a indecisão entre a figura da esquerda (vício) e a da direita (virtude). Cores opostas predominam na figura da esquerda e da direita, e a flecha do cupido está apontada para a virtude.

NO TAROT MITOLÓGICO
A necessidade e as consequências dessa escolha são bem representadas no mito de Páris, o julgamento das três deusas, Helena e a Guerra de Tróia. Zeus incumbiu ao jovem Páris o dever de escolher a mais bela das deusas do Olimpo quando esta questão surgiu entre Hera, Afrodite e Atena. Obviamente, Páris recusou a oferta sabendo que teria de enfrentar a ira das perdedoras. Mesmo assim Hermes alertou-o sobre a ira de Zeus caso recusasse. Sem escolha, as três deusas se apresentaram a ele.

Na carta, Páris, de costas, usa vestes simples e traz na mão direita um cajado. Na esquerda, traz uma maça de ouro — o prêmio do concurso. À sua frente, Hera, usando vestes imperiais e um diadema de ouro. Tendo em mãos o globo terrestre, ela oferece ao rapaz a autoridade terrena, tornando-o imperador do mundo caso a escolhesse. Usando armadura e elmo de guerra, Atena oferece uma espada, simbolizando o poder cortante da mente, além da visão nítida da lucidez e assertividade, tornando-o o guerreiro mais forte e justo de todos os tempos.

Afrodite, quase totalmente despida e com os cabelos soltos, lhe oferece a taça do amor, prometendo-lhe a mais bela das mulheres mortais. Jovem e inexperiente, Páris escolheu Afrodite e seu prêmio. As outras duas deusas falsearam um sorriso resignado e partiram para planejar sua vingança contra o jovem príncipe. Como prometido, Páris ganhou o amor da mais bela das mulheres, que no caso era a já casada Helena, rainha de Esparta. Este ato irresponsável casou a longa e sangrenta Guerra de Tróia, que culminou da destruição da bela cidade. Tudo isso causado por um jovem inconsequente e suas escolhas impensadas.

Arcano VI, Os Enamorados - Tarot Mitológico
Na Jornada d’O Louco, o julgamento de Páris representa o primeiro grande desafio da vida: a escolha no amor. Isso não se limita ao campo literal onde você tem que escolher entre duas mulheres ou dois homens. Aqui falamos também de valores, de caráter, de quem queremos ser, quem queremos nos tornar. Assumir responsabilidades, fazer escolhas e arcar com as consequências. Livre arbítrio versus compulsão instintiva. Páris não foi capaz de escolher com maturidade, e pelos seus desejos pessoais fez uma guerra cair sobre a terra. O concurso lhe foi imposto da mesma maneira que a vida nos coloca em frente a desafios dos quais não estamos preparados, então, mesmo não tendo a maturidade para resistir aos encantos de Afrodite ou pensar nas consequências de tomar uma mulher casada, mesmo não tendo parado para pensar que o poder de reinar ou perícia militar fossem dons muito mais importantes, o erro de Páris foi quase inevitável e, talvez, necessário.

Páris ficou entre enfrentar a ira de Zeus (caso se negasse a escolher) e a ira das deusas perdedoras, como eu já disse. Na vida há escolhas das quais você não pode fugir. Sem passarmos pelo batismo de fogo, que é sofrer com as burradas que fizemos, nunca compreenderemos nossos fracassos. Nunca aprenderemos o que foi causado pela nossa falta de reflexão.

Interpretação: Necessidade de escolha (quase sempre a nível amoroso); indecisão frente situações inevitáveis; eleição; tentação; atração; harmonia entre aspectos interiores e exteriores da vida; amor puro; altruísmo; conscientização de um Eu Superior.

Invertida: Amor cego; sentimentos tornando-o cego; infidelidade; má eleição, más escolhas; necessidade de estabilizar as emoções; decisão inconsequente.

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