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Conheci no Grindr: Astromancer

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Não-sexo e seitas estelares.

Conheci no Grindr é uma série de relatos sobre minhas aventuras de uma noite com homens que conheci através de aplicativos de relacionamento. Antes de falar sobre o Astromancer — apelido dado para proteger a identidade do cara e, é claro, tornar tudo mais poético —, recomendo dar play na música abaixo. É "I'm Aquarius", da banda Metronomy.



*Importante dizer que recomendo o texto apenas para maiores de 18 anos ou jovens muito bem resolvidos.

Tem cristais em todas as prateleiras embutidas nas paredes beges. No meio do apartamento, sobre o tapete felpudo, uma mesinha de madeira recortada feito uma estrela de seis pontas. Sobre ela, uma luminária em disco suportada por pezinhos de palito, imitando uma nave espacial. Na cozinha tem a imagem de Saint Germain e hora ou outra me impeço de roer as unhas por medo de ele ser um líder psicopata de alguma seita intergalática.

Mas só tiro as botas, passeio pelos livros indianos, outros sobre energia e chakras, e me sento no sofá onde posso ficar de frente para ele. Daqui posso ver o quarto com portas de correr em vidro. Naquela varanda, pedras e uma pequena cachoeira. O ambiente zen tem Buda nas escadas e Shiva na parede. Pergunto sobre feng-shui e ele não sabe responder. Comento sobre Saint Germain e ele nem sabe quem é. Confesso que só vim por achá-lo bonito, e essa decoração mística o tornou exótico, mas ele parece um pedaço solto de pele queimada pós-sol: ao mesmo tempo em que descascá-lo é subconscientemente divertido, o quanto eu caminhei para chegar aqui não está valendo a pena.

Quando ele expulsa a gatinha do meu colo, meu estômago gela, pois ele senta ao meu lado já me segurando pelo queixo. Não gosto de beijo pedido, mas tão de surpresa me irrita. Tenho medo de estar com a boca seca, com bafo ou de, sei lá, arrotar sem querer na hora errada. No fundo, e ainda mais por ele ter 38 anos, sou só um molequinho perdido buscando nas estrelas alguém para culpar. Sou de virgem, talvez seja mania do signo. Nem sei se acredito nisso.

A cama não é no chão, mas fica abaixo do nível de camas convencionais. Ele tem um peito tão massudo e largo que mal reparo na barriga de cerveja escapando pelo cinto. Tenho a mesma sensação de quando segurava massinha nas mãos quando pequeno: não sabia o que fazer com algo tão macio e gostoso de tocar, então apertava e apertava até o rolinho de massa se despedaçar todo. Ele me dá pouca oportunidade de mordê-lo, arranha-lo ou despedaçá-lo porque quer me dominar a todo custo. Só fico na vontade.

É legal como me segura entre a bunda e a coxa. É um apertão confortável, mas gostaria de mais mobilidade. Ele tem problemas. Acho que tem medo de parecer passivo ou coisa do tipo. Não cogita sexo oral em mim e só parece querer uma coisa. Percebo que a química morreu quando penso no horário que terei de ir embora amanhã, se agendei as postagens do site e enquanto analiso a presente situação como se a visse de cima — um pornô horrível. Perdi o tesão. Mas vou fingir que não até ele ficar satisfeito.

"Eu te falei... não vai rolar penetração. Acabei de te conhecer" nunca é fácil explicar por que não gosto de penetração, e nem cito o termo gouine para não confundir mais a cabeça do Astromancer.

"Tá tudo bem", ele parece desanimado. Respira fundo, sorri e diz que tá cansado, mas que estou dando energia pra ele. Acho baboseira, mas ok, o cara não vai me comer e o mínimo que posso fazer é fingir que acredito. "Nem dedada?"

"Quê?"

"Nem dedada você gosta?"

Ele perguntou isso mesmo, gente?
É sério?

"Não, não, obrigado", agradeço o convite.

A gente conversa mais um pouco e assiste filme. O ajudo a terminar o que ele precisa terminar e Astromancer fica com sono logo após. Tão clichê. Surpreendentemente, o sono bate em mim na mesma hora e quase suspeito que ele pode ler minha mente. Preciso ter cuidado com meus pensamentos. Se eu dormir, vou acordar numa banheira cheia de gelo e sem minhas córneas? Ou ele é um demônio disfarçado de quase-quarentão com cara de trinta que vai romper meu intestino para fora e roubar minha alma?

É a primeira vez que consigo dormir de conchinha a noite toda.
Também é a primeira vez que gosto a ponto de querer repetir.
Mas não, não repito.
Nunca mais.

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