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Expectativas amorosas: ter ou não?

DDPP - Expectativas amorosas: ter ou não?
Pitch Perfect © 2012 Universal Pictures

Assistindo A Escolha Perfeita (Pitch Perfect) pela nonilionésima vez, decifrei o porquê de eu estar solteiro e achar que todo mundo que conheço parece não oferecer nada além de monotonia após a fase da paquera: procuro um amor de cinema. Não um amor de O Diário da Paixão ou Titanic, mas um amor onde a pessoa entre na mesma sintonia que eu, aprecie o simples e, principalmente, faça o negócio acontecer! É disso que mais sinto falta: atitude.

Não confunda atitude com "dar o primeiro passo". Dar o primeiro passo é uma ação conjunta, pois não dá pra mover nada pra frente se as duas pessoas não se moverem ao mesmo tempo. Atitude é permitir que a rotina se transforme para inserir alguém nela — e permitir ser inserido na do outro. Isso exclui a criação de desculpas e compromissos dispensáveis que adiam ou atrapalham encontros, inflexibilidade de agenda ou achar que alguém precisa "dar o braço a torcer" para que as coisas se mexam. Quantas vezes já aconteceu com você?

É, espero um romance de cinema. Não é o mesmo que um príncipe encantado. Na segunda expectativa, a idealização de um tipo perfeito se torna inaplicável, uma vez que é impossível alguém ser 100% do jeito que você projetou. Se alguém chegar perto desse arquétipo criado, ainda não será bom o suficiente, pois faltarão 2% do que você considera ser a pessoa ideal — aí você maximiza tudo que não gosta no outro: amável demais, carente demais, legal demais, frio demais e blá, blá, blá.

Um romance de cinema não é um em que tudo funciona. Pelo contrário! Ele é normal, possui brigas e dramas como qualquer outro. A diferença é que ambos os lados estão dispostos a pedir desculpas e se centralizarem menos nos próprios umbigos. É o romance onde dizer "eu te amo" não é como jogar Uno, mas também não é leviano como dizer "oi". É pensado e, principalmente, sentido e respeitado dentro do que cada um considera amor.

Mais que tudo isso, é quando você decide ser para o parceiro alguém disposto a trocar agrados, a ser amigo e confidente, que dá uma "moviecation" — trocadilho que só funciona em inglês pelas junções das palavras filme e educação, movie e education — buscando apresentar os próprios gostos pro outro, que talvez possua uma personalidade diferente. É troca. Não é resistência, não é egoísmo. Não é só sexo, mas não é apenas sobre o suflê rosa no bolo de cereja do relacionamento puritano.

Eu entendi — enquanto mandava a personagem Beca tomar na bunda por dispensar o lindinho do Jesse — que meus relacionamentos não funcionaram porque eu queria que o mundo fosse uma série de TV onde a estrela era eu. Não reconhecia essas diferenças no outro e esperava que um milagre de Cinderela os transformasse nos caras que sonhava por horas antes de dormir. Para viver um romance de cinema, preciso me tornar o que quero conhecer.

Quero conhecer alguém que seja espontâneo, que não vista ternos para tentar me impressionar. Quero alguém que aprecie detalhes e que perceba que a vida é uma só para deixar escorrer pelo ralo. Quero alguém que me dê flores no dia dos namorados e que me apresente pra família não só como melhor amigo, mas também como namorado. Só que minha realidade no momento consegue ser tão diferente do que espero de alguém que em vez de me tornar frustrado e solitário, me tornei cínico.

Passei a amar carinhos de uma noite só e a apreciar cada milésimo de segundo das aventuras românticas, me deixando sentir paixões platônicas que não duram mais de sete horas — tempo de jantar, ir pra cama, não dormir, tomar café da manhã e ir embora. Em vez de triste, tornei meu apetite sexual — mesmo que gouine — voraz, me alimentado de corpos sem dar muito espaço para o espírito. Sou dos que jogam o jogo que estiver na mesa. Não posso esperar de um ogro o toque de uma borboleta, então me apaixono pelo trol enquanto estou com o trol e aproveito a mariposa quando com a mariposa.

No fim, com expectativas, eu poderia sentar e esperar alguém que pode ou não aparatar num momento inesperado. Sem expectativas, me torno carne, osso e testículos — muito mal retirados da cueca. Tê-las ou não tê-las? A resposta é equilíbrio. É não deixar de curtir as pessoas que aparecerem, nem que só pra papo. É não criar fantasias com ninguém que tire seus pés do chão e te derrube em seguida (tem um guia ótimo para controlar ansiedade de namoro aqui no site). Sobretudo, é definir — ou sentir o que seu coração já definiu por você depois de tantas comédias românticas — um patamar básico.

Quero uma troca honesta. Não quero puxar o bonde ou jogá-lo para que a outra pessoa carregue. De preferência, quero que o bonde vá à merda e a gente pegue um barco, uma prancha de surfe e um skate. Depois de surfar na praia que a gente acabou de ancorar, vamos para outra cidade de longboard. Chegando lá, vamos dar adeus aos nossos problemas, criar um monte de cachorros abandonados e viver felizes para sempre.

Se as expectativas do "Plano A" não derem certo, aceito engordar em cima da cama com um pote de sorvete, um namorado que se abra para ser amigo dos meus amigos — e que chame os dele também, pra gente juntar os solteiros de cada clã — e assistir uma maratona de filmes escolhidos por todo mundo até pegar no sono sem escovar os dentes. Não, eca. Não conseguiria dormir sem escovar os dentes depois de comer tanto doce.

É a expectativa balanceada mais saudável. Cultivo com chá e biscoito de água e sal.
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