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Ode aos garotos errados

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Discípulos de Peter Pan - DDPP - Ode aos garotos errados

Meus 15 anos estavam acabando quando me apaixonei por meu primeiro garoto errado. Comparando o errado de sete anos atrás com o de hoje, o menino com nome de anjo, que andava com um maço de cigarros, camisas de bandas e um baseado atrás de orelha era só um garotinho quatro anos mais velho do que minha inocência poderia contar. Desde aí eu soube: esse tipo, o que parece não ter limite, o que infesta corações de receio e medo, seria o tipo que me despertaria paixões platônicas e noites cornas ouvindo new metal melódico pra chorar.

Não que eu sofra por eles como uma daquelas pessoas com Síndrome de Estocolmo, que se apaixonam pelo causador de todos os males, mas há algo prazeroso na maneira com que me envolvo com homens potencialmente perigosos. Não como assassinos profissionais ou terroristas, mas que violentam os próprios corpos com muitas drogas, que mascaram falta com sorrisos sagazes e que partem corações como ninjas cortando melancias no ar num teste de aptidão samurai.

Essa dor é prazerosa porque me encontro nela. Um exemplo?

Ele não tem nome de anjo, mas me trata como se eu fosse divino. Ele não faz brincadeiras que não gosto e pergunta se quero jantar a cada cinco minutos. É um garoto preocupado — e um dos poucos moleques da minha idade que vale a pena me envolver. Sei que não deveria achar poético, mas há magia na maneira com que ele cheira uma carreira de cocaína enquanto toca Year In Review dos Black Keys. Transbordo tesão quando sacode a cabeça, funga, e me puxa pelas pernas até que minhas virilhas se encaixem na cintura dele.

Derrama encanto na forma com que desliza a mão na minha barriga como se o beijo, que só me dá agora na boca, já tivesse começado sobre meu umbigo com as pontas dos dedos. Quando fica mais tarde, ele parte um doce (outro nome para LSD) e me oferece. Digo não. Acho repugnante ele ficar chapado o tempo todo, de tudo, e já pensei em deixá-lo umas dezoito vezes desde que me carregou nas costas da cama até a moto. Há um momento de sanidade: ele coloca o capacete. Eu vou sem, só temos um. Fico feliz por ele se proteger, pois é tudo que quero fazer — salvá-lo. Só que depois, quando terminarmos, vou pensar nesse momento e ficar triste, pois ele foi egoísta. Se caíssemos, eu me foderia sozinho. Como de costume, diga-se de passagem.

Parece mais tarde do que realmente é e ele sorri para as luzes do bar porque sei que ele tá vendo coisas enquanto eu tô careta. Os amigos estão na mesa e aquela garota chata que sempre evito, pois só fala besteira, já levanta pra me alugar. Gosto dela calada. Isso me faz pensar que gosto do silêncio dele, mesmo que me perturbe não saber como se sente em relação a mim, já que não temos nomes de anjo — muito menos a bênção da igreja. Os amigos não sabem sobre a gente. Ele me mantém na sombra e eu penso que mereço melhor. Mereço além de um playboy drogadinho sem objetivo de vida, que não entende nada do que falo e até admite sentir minha falta, mas que não se esforça para saná-la além de perguntar o tempo todo se estou com fome.

Preciso mais do que ficar na gaveta para quando precisar, mesmo que o quarto escuro dele seja a melhor gaveta do mundo. Só preciso de coragem e já estou dizendo que preciso ir embora. Os amigos me adoram e tenho certeza que o melhor amigo dele dá em cima de mim. Adivinha só: acho que quero dar em cima dele também. Por quê? Porque o melhor amigo dele é oitenta vezes mais irresponsável, mimado e desmiolado. Não são violentos ou escrotos com todo mundo. Só parecem não saber quem são no meio de tanta marola. Andam de moto, fumam cigarros e me sinto num filme. Sairão daqui muitas cenas d'Os Hereges de Santa Cruz.

Viu só? Depois dessa época me envolvi com poucos garotos errados, mas todos levantaram mais pelos da minha nuca do que quaisquer um de meus certinhos. O que há de comum entre todos é que eu pareço ser o que sempre parte em busca de outra coisa, procurando a mim antes de formar algo com alguém. Mas são eles. Mesmo que deseje um garoto de respeito, que eu ame e que me ame de volta num romance de cinema, os garotos errados sempre farão com que eu esqueça de que deuses castigam e que há um inferno abaixo dos meus pés.

Eu gostaria de chamar esse texto de "Ode aos garotos perdidos", mas discípulos de Peter Pan não são nada parecidos com os garotos errados. E eu fico feliz por isso.

*Nota do editor: Enrique evita se apaixonar por garotos assim hoje em dia, pelo bem da saúde e respeito próprio. Ele também ficou preocupado de você não saber o que é Síndrome de Estocolmo, então clique no link para ir ao Wikipédia, guardião de todos os segredos.

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