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Arcano IX, O Eremita - Como ler tarot

Como interpretar o arcano 9?
Arcano IX, O Eremita - Como ler tarot

Hoje vamos falar do "guia eterno" — o arcano número 9, O Eremita (ou ermitão). Se quisermos resumir bem este arquétipo, basta pensar naquele que se isola do mundo para conquistar conhecimento — o que os gnósticos chamam de Caminho do Monge. Quando a nossa mente se encher de questionamentos sobre a essência e razão da vida, quando as dúvidas sobre nós mesmos surgirem, quando as coisas mais naturais lhe parecem incompreensíveis, dificilmente você encontrará respostas para estas questões externamente (no mundo físico). Elas só podem ser encontradas em nosso interior, no inconsciente.

Como Eremita, tudo que importa são as respostas. Para isso, você deve ter atingido um estágio onde os desejos e paixões pessoais assumem o segundo plano em questão de importância. Lembra d’A Sacerdotisa e seu poder sobre o inconsciente? Pois é, O Eremita só se move seguindo aquela Voz, a voz do Interior, e daí percebemos a beleza e simplicidade do desenho desta carta — os Tarots de Marselha e Universal de Waite possuem desenhos semelhantes — onde um senhor de idade, denotando experiência (é comum idosos terem religiosidade mais forte que dos jovens, afinal, estão mais que graduados na escola que é a vida terrena), carregando um cajado e uma lanterna. O cajado é um companheiro simbólico comum para os sábios e aqueles que se empregam em uma longa jornada — biblicamente falando, o cajado de Moisés foi um símbolo extremamente poderoso enquanto ele levava seu povo, por 40 anos, para a Terra Prometida.

Arcano IX, O Eremita - Como ler tarot
Esquerda: Tarot de Marselha. Direita: Tarot Universal de Waite.


A luz da lâmpada também é um auxílio para sua jornada, mas ela só ajudará por algum tempo, pois como é uma fonte de luz externa, logo se extinguirá. Esse é um dos objetivos do Eremita: ser capaz de caminhar com sua luz pessoal — sua luz interior deve aprender a brilhar na ausência da luz de outros. Para conquistar a verdadeira sabedoria, não pode haver distrações. Devemos nos livrar das confusões internas e externas. Este é o caminho d'O Eremita que se introduz na escuridão para que a luz lhe seja revelada. Assim como O Louco, ele está mais uma vez só, isolado dos demais não apenas por escolha mas por necessidade (há momentos em que procurar resposta ou sentido para a vida se torna mais essencial que as coisas mais básicas do cotidiano — só quem já passou por isso vai entender).

Esse é outro ponto d’O Eremita, a total pessoalidade de suas experiências. Ele não é um mestre. Ele é no máximo um guia. Ele não fala de suas experiências, ele não ensina, ele mostra o caminho para que você mesmo o siga, pois ele sabe que o verdadeiro aprendizado não vem de forma verbal, mas sim pela experiência. A sabedoria não se presenteia. Ela é conquistada por experiências e sacrifícios cotidianos. Porém, lições da vida não podem ser apressadas ou programadas. Tudo tem seu momento e quando chegar a hora d’O Eremita, ele virá.

TAROT MITOLÓGICO
Na carta vemos um velho de barbas brancas envolto numa túnica cinza escura que lhe cobre a cabeça, tendo apenas o rosto à mostra. Na mão direita uma lanterna acesa. Na esquerda, uma foice. Um corvo pousa em seu ombro esquerdo. Um céu nebuloso se vê à sua volta, acima de montanhas igualmente cinzentas. O solo é totalmente seco e rachado. Desta vez este tarot nos apresenta um titã, um dos deuses primordiais: Crono, deus antigo cujo nome significa "tempo". Na mitologia, o filho de Urano, o Céu e Gaia, a Terra, castrou o pai com uma foice dada por sua mãe e o despojou de seu trono. Ele então libertou seus irmãos que o pai insistia em manter enclausurados e tornou-se o soberano da raça titã.

Arcano IX, O Eremita - Como ler tarot mitológico
Na carta, a lanterna é a luz do conhecimento que brilha somente na escuridão da solidão daquele que espera o momento certo para agir. A foice, dada por sua mãe para castrar o próprio pai, simboliza também o crescente da lua, o que também representa os ciclos eternos e a infinita flutuação da vida. Crono não seguia as próprias regras que estabelecera: ele destronou o pai por sua tirania contra si mesmo e contra seus irmãos, mas ainda assim, quando assumiu o poder, fez a mesma coisa que o pai — temendo ser destronado pelos filhos, devorava-os assim que nasciam. Seu medo se tornou real quando Zeus e seus irmãos derrotaram-no. Então Crono nos ensina sobre a lição do tempo e das limitações da vida. Nada pode ir além do âmbito da própria vida e nada permanece inalterado. É um deus que tanto encarna o tempo quanto se rebela contra ele, por isso foi destronado e humilhado, devendo aprender com o silencio da própria dor.

Há também uma descoberta dolorosa que a maioria de nós se nega a aceitar: o dilema de que todos os homens, no fim das contas, estão realmente sozinhos. Você pode compartilhar sua dor, mas no fim das contas você é o único que a sente com total intensidade, você pode se aliviar num ombro amigo, mas terá que superar sozinho. Talvez por isso seja tão difícil superar a depressão, porque o ser humano não consegue compartilhar experiências e sentimentos. Há o perigo da calcificação, uma resistência à mudança e a passagem de tempos, mas há também a possibilidade de ganhar a perspicácia para mudar aquilo que pode ser mudado e aceitar aquilo que não podemos alterar, esperando no silêncio até que o tempo nos mostre a diferença entre as coisas.

Interpretação: Procura por algo intangível, desligando-se de toda atividade normal; o peso do saber que não encontra aplicação no mundo profano; "morte" social; meditação; iluminação; conselho silencioso; necessidade de viagem — real ou figurada — para se obter sabedoria; encontro com um guia.

Invertido: Negação para escutar sabedoria; imaturidade; conselhos imprudentes; receio de envelhecer e negação à maturidade.


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