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Pergunte a um garoto: paixões platônicas por meninos impossíveis

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Sexta edição!
Pergunte a um garoto: assumir sexualidade, explosões e primeiras amizades

Sabe aquela dúvida que você sempre teve mas nunca perguntou pra ninguém por vergonha ou por achar que ninguém poderia ajudar? Que tal peguntar a um discípulo? No caso, eu, Enrique! Na coluna Pergunte a um garoto, suas questões sobre sexo, beleza, comportamento e qualquer coisa podem ser respondidas! Quer enviar uma dúvida? Escreva "Perguntas" no assunto do e-mail e envie sua pergunta para discipulosdepeterpan@gmail.com!

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Faço pré-vestibular e no inicio do mês conheci um cara. A princípio o achei gato (o que é normal já que me relaciono com ambos os sexos), e como ele é de outra cidade achei que não o veria novamente. Porém ele estava na mesma sala que eu para aulas complementares. Quando fomos pro intervalo o vi sozinho e resolvi conversar. Ele contou sobre planos pro futuro e que tinha terminado com a namorada há duas semanas. Senti que o conhecia há anos e pela primeira vez na vida eu quis beijar um moleque que acabei de conhecer. Não sei o que está acontecendo comigo, mas sei que não é normal porque quero que ele faça parte da minha vida. Quero saber se isso vai passar ou se preciso me internar. — Pedro, 22 

Oi, Pedro! Quer minha opinião sincera? Acho que está muito cedo para dizer que você o quer fazendo parte da sua vida. Acredite, eu sou um dos afobados que conhece alguém hoje e amanhã já quer namorar, como falei no guia "Como controlar ansiedade para namorar" e no artigo "Relacionamentos Relâmpago". Só que aprendi que paixões rápidas por pessoas que mal conheço não passam de atração física e fantasiosa sobre o que eu imagino sobre a pessoa, não sobre quem ela é de verdade — afinal, precisamos de mais tempo para conhecer alguém mais a fundo. Exceções acontecem, amor à primeira vista também, mas não parece seu caso. Nessa história parece que a sensação de ter uma nova pessoa na sua vida — gata, ainda por cima — gerou essa empolgação toda. Se você o quiser na sua rotina e precisa saber se realmente está gostando dele ou se é fogo de palha, desenvolva amizade antes de tudo. O segundo problema é que ele parece ser heterossexual, correto? Você precisa se acostumar com a ideia de que se ele for hétero mesmo, não vai ter chances de um relacionamento amoroso além da amizade do garoto. Se apaixonar tão do nada é muito bom, pois nos sentimos vivos, mas quando isso incomodar ou virar uma tortura, procure jeitos de partir para outra. De qualquer maneira, a escolha sempre será sua. Siga seu coração, leia o guia "Como despertar intuição" e o "Como superar término e amar novamente" e faça o que achar que deve.

Estou apaixonado por um rapaz. Já gostei de outros antes, mas nunca na mesma intensidade. Nada deu certo anteriormente porque todos eram heterossexuais e eu nunca me declarei pois não queria perder a amizade. Agora estou perdidamente apaixonado por esse rapaz. Participamos de projetos na faculdade, ele já me olhou algumas vezes (duas, na verdade. Mas temo que ele estivesse olhando para o vento e não para mim), mas sempre permaneço na dúvida. Tenho medo de me declarar porque não acho que seja a hora certa para todo mundo saber, mas também porque tenho medo de uma resposta grossa. Nunca namorei nem fiquei com alguém, o que torna as coisas mais complicadas. O que devo fazer, Enrique? — Thor, 19

Ei, Thor! Acho que você fez bem em não se declarar para seus amigos heterossexuais. Mesmo apoiando que devemos ser honestos com nossos sentimentos, há casos como esse — de incompatibilidade na atração sexual — que ser sincero só causaria incômodo para eles e para você, que possivelmente perderia o amigo. Não que vocês fossem brigar ou se desentenderem, mas quando a gente se declara para um amigo (não importando a orientação ou gênero), tudo muda. Ou os amigos se dão uma chance para ter relacionamento, ou se afastam aos poucos ou fingem que nada aconteceu — o que gera afastamento de qualquer jeito, porque quando uma bomba dessas é jogada na conversa, as coisas mudam sim. Eu não posso te dizer exatamente o que fazer, pois não o conheço, mas todas as minhas experiências me declarando para heterossexuais não foram bem sucedidas. Como falei no texto "Vício em héteros: querer quem não podemos ter" e no meu segundo livro "Sobre um garoto que beija garotos", as vezes em que me relacionei com amigos heterossexuais foram sem querer. As coisas aconteceram de repente, sem o choque de eu precisar me declarar para alguém. O que essas histórias têm em comum é que todas terminaram da mesma maneira que começaram, e uma ou duas deixaram a amizade sobreviver como antes. Ao se declarar haverá possibilidade de alguns resultados: a) ele dizer que tem curiosidade em você; b) ele ficar em silêncio resolvendo confusões dentro dele; c) ser grosso e se afastar de você; d) ser compreensivo, explicar que não vai rolar, mas amizade pode continuar; e) ser compreensivo mas se afastar; e outras. Não somos equações pré-definidas e toda ação gera reação. Se você não sente que é o momento de se declarar ou que ele é hétero mesmo e não vai dar em nada, não se declare. Não invente sinais que não existem, mas também não ignore se alguns sinais forem de verdade. Saiba filtrar o comportamento dele, o seu e siga sua intuição. No seu lugar eu guardaria meu primeiro beijo para alguém que me quisesse tanto quanto eu o quereria.

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