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Pergunte a um garoto: assumir sexualidade, explosões e primeiras amizades

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Quinta edição!
Pergunte a um garoto: assumir sexualidade, explosões e primeiras amizades

Sabe aquela dúvida que você sempre teve mas nunca perguntou pra ninguém por vergonha ou por achar que ninguém poderia ajudar? Que tal peguntar a um discípulo? No caso, eu, Enrique! Na coluna Pergunte a um garoto, suas questões sobre sexo, beleza, comportamento e qualquer coisa podem ser respondidas! Quer enviar uma dúvida? Escreva "Perguntas" no assunto do e-mail e envie sua pergunta para discipulosdepeterpan@gmail.com!

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Existe momento certo para falar de minha orientação sexual com meus pais? — Willian, 17

Existe sim: quando você se sente pronto após analisar toda a situação da sua casa. Ou seja, não é vantagem contar para seus pais sobre sua sexualidade se você já percebe comportamentos preconceituosos que acabarão piorando como você está se sentindo. O momento ideal é quando você não conta por culpa, se explicando ou lamentando por ser gay ou bissexual — não há nada errado em nascer assim. Ideal é contar para inserir seus pais na sua rotina mais íntima, transformando-os em amigos, ou só para manter um relacionamento mais honesto. Aqui no Discípulos de Peter Pan postei o guia "Como assumir sexualidade para os pais", não deixe de ler!

Sou uma pessoa razoavelmente sensata, mas meu lado instintivo prega peças a ponto de eu não conseguir confiar em ninguém. Não consigo esquecer mágoas e traumas que tive na vida. Estou sempre armada para qualquer coisa. Os estímulos externos me levam à loucura e de quebra dificulta todos os meus relacionamentos. Sempre tenho vontade de mandar todo mundo à merda, mas meu lado diplomático não permite, então tô sempre naquela angústia. Me ajuda, Enrique. — Manu, 19

Tenho conversado muito com minha psicóloga sobre isso, pois sou parecido com você nesse aspecto. Sou sociável e carismático porque aprendi a ser assim — até falei disso no vídeo "Como ser carismático com 5 dicas". Minha personalidade era introspectiva, individualista e solitária, e eu estava bem. Só que minha família ficou preocupada e disse que eu estava errado em ser assim, que deveria sorrir para todo mundo e ser educado. Cresci achando que ser doce era a coisa certa a se fazer e até pouco tempo estava engolindo todos os "foda-se" que eu queria dizer mas não falava para ninguém achar que eu não sou simpático ou legal. Mesmo sem querer, eu queria que as pessoas me vissem como alguém em quem confiar, com humor estável e doce, doce, doce. Eu sentia que estava sendo uma farsa. O que a psicóloga está me ajudando é encontrar e assumir minha personalidade antes de usar máscaras sociais necessárias. Você não confia em ninguém e essa angústia é a quantidade de "foda-se" que você não diz se acumulando. A única maneira de se sentir melhor é assumindo quem você é: não quer fazer a social? Tá cansada de esconder sua intolerância a pessoas que invadem seu espaço? Demarque seu espaço então! Seja educada, pois educação é uma "boa máscara" para o avanço da sociedade, mas se não estiver no clima de bater papo, discutir ou participar de nada, não o faça! E se o fato de você não conseguir se enturmar sem receios te incomodar, descubra se esse incômodo é seu ou o que a sociedade diz que você precisa fazer. Assuma: "olha, não tô no clima de conversar, quero mesmo é ficar quietinha. Não é nada pessoal, sou eu que tô querendo falar menos". E se esse pedido de paz educado não funcionar, você tem todo o direito de mandar essa pessoa invasora à merda. Eu seria educado mesmo assim: "me desculpe, mas vá à merda. Eu só quero ficar sozinha". Se tudo continuar incomodando, se essas mágoas não saem de jeito nenhum de dentro de você, te digo por experiência própria: procure terapia. Não é coisa de maluco nem de rico, pois aqui no Rio existem clínicas gratuitas e postos de saúde. É a coisa mais sensata a se fazer — e todo mundo deveria ver um terapeuta. Encontre harmonia com você antes de se preocupar em dar harmonia pros outros.

Tenho 18 anos, fiz meus primeiros amigos há pouco tempo e nunca saí de casa para me divertir. É um mundo novo para mim e isso está me angustiando, porque não consigo seguir o ritmo deles.
Namoros, ficantes, festas regadas a álcool, mil histórias bizarras para contar, centenas de amigos em cada esquina... Sou virgem, longe de ser bonito (estou trabalhando isso com suas dicas) e sou meio "lesado". Não sei como lidar com essa realidade e só percebi que preciso aproveitar minha juventude agora. Para mim é como entrar num sonho que não consigo manusear. Quero um conselho para um garoto bobo que começou a viver agora. — Hugo, 18

Como assim "começou a viver agora"?! Você tem 18 anos e já viveu pra caramba! São quase duas décadas de existência! Não aceite como a única maneira de "aproveitar a vida" essa juventude vendida da TV, do Tumblr nem nada! Você já passou por experiências diferentes para, justamente, ter seu questionamento acerca disso — o que está causando essa confusão na sua cabeça. Entenda também que cada pessoa tem seu momento para se divertir fora de casa. Tenho amigos de 26 anos que nunca beberam álcool ou usaram qualquer tipo de droga, mas andam com pessoas que fazem isso o tempo todo. O que importa para uma amizade valer a pena é a conexão emocional e de confiança que vocês têm um pelo outro. O que importa para uma noite — ou manhã, tarde, madrugada... — ser divertida é o quanto você se diverte. Se sai com eles e se sente deslocado, desconfortável e não se diverte nem um pouco, será que essa coisa de sair de casa, beber e participar desse ciclo de ficadas é a sua onda? Será que você — assim como eu — não vai encontrar seu lazer passando a maior parte do tempo em casa ou sozinho? Agora começa uma outra fase: experimentações! Se você tem curiosidade sobre ficadas, sexo e tal, o momento de experimentar é esse, mas apenas se tiver curiosidade! Não deixe as pessoas dizerem o que você deve fazer. Faça o que seu coração mandar! Não se sinta menor por não ter nenhuma história "interessante" para contar, pois você, com 18 anos de vida, tem outros tipos de histórias para contar. Aposto que você se conhece mais do que essas pessoas que começam a sair cedo, com 15 ou 16, pois passou mais tempo sozinho. Foi assim comigo — mas comecei a sair aos 16 sem um grupo de amigos definido, feito nômade, sozinho muitas e muitas vezes apenas pela experimentação. Ser virgem é o máximo, pois você dá mais importância ao seu corpo e exigirá alguém que ao menos valorize sua personalidade antes de entregar esse prêmio. Você não é bobo, idiota ou nada disso. Você é incrível e precisa acreditar nisso daqui pra frente, okay? Okay. Agora vá experimentar para saber o que te faz bem ou não!

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Quero achar minha triboComo controlei meus surtos de raivaComo ser mais bonito sendo felizBonito x Interessante
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