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Como sair sozinho e conhecer gente nova

Fotos: Luke Garcia, +5521 | DIY da camisa que usei link.
Sem companhia para sair? Quer aprender a se dar mais valor e depender menos dos outros para se divertir? Leia esse guia e se transforme!

Nunca fui dependente das pessoas para sair e me divertir. Quando passei pelo ensino médio e tive as melhores companhias que um adolescente poderia ter, desacostumei a ir ao cinema sozinho ou pegar uma rave na praia aos sábados sem fiéis escudeiros. Agora meus dois melhores amigos desapareceram: ela noivou e ele não está no clima de bagunça desde que se tocou que só saía com a gente pelo medo de ficar por fora — como falei no artigo "Medo de ficar por fora: saindo sem vontade de sair".
Este artigo faz parte do projeto Melhor Verão da Minha Vida 2015. Clique aqui para ver todos os posts dessa categoria e acompanhar minhas aventuras no Rio de Janeiro na estação mais quente do ano!
Para piorar minha solitude, o calor chegou e a vontade de viver o Melhor Verão da Minha Vida me tornou uma aberração entre meus amigos, que odeiam a luz solar. Como não tinha quem me acompanhasse nas aventuras pelas praias da zona oeste do Rio, ficava com preguiça de ir sozinho e reclamava disso. Até que ergui minha cabeça e disse para mim mesmo: "você não precisa de companhia para se divertir. Com eles é bom, mas com você mesmo pode ser melhor ainda — e isso abrirá portas para novas pessoas aparecerem". É o que está acontecendo.

O PRIMEIRO PASSO É O MAIS IMPORTANTE
Sabe quando você está super empolgado, chama todos os amigos para curtirem aquele dia lindo e todo mundo diz "não"? Você não desanima de sair também? Lutei contra essa onda de desmotivação, enchi meu peito de coragem e peguei dois ônibus e uma carona para chegar à minha praia preferida, Prainha — falei dela em "Como chegar na Prainha, Rio de Janeiro". Na praia me senti deslocado por andar sozinho, já que todo mundo estava acompanhado. Pensava em como seria divertido se meus amigos estivessem ali. Voltei para casa murcho, apesar de ter gostado de passar o dia na areia.



A segunda vez que quis sair para a mesma praia e ninguém quis ir, me senti diferente: o desânimo gerado por eles não me afetou tanto. A preguiça de sair de casa solitariamente e pegar dois ônibus fora substituída por músicas ideias nos fones de ouvido e a constatação de que sou sortudo de morar a vinte minutos da praia. Na areia fiquei mais confortável, fechei os olhos e peguei muito sol. No dia seguinte convidei os amigos por convidar, e até joguei no Facebook para ver se alguém pilhava: ninguém quis. Fui e não senti a mínima falta.



Uma semana se passou e depois de verem fotos de praia e independência emocional no meu Instagram, pessoas começaram a se convidar. Na própria praia conheci novas caras, bebi com outras nos quiosques e peguei ótimas caronas com famílias e surfistas que tinham histórias para contar enquanto eu criava as minhas. Aprendi disso que se quero companhia para uma atividade específica e não conheço ninguém que queira aproveitar da mesma maneira, sair e conhecer as pessoas no local de interesse é mais vantajoso, honesto, e ninguém fica jogando na cara que "fui para tal lugar por sua causa".

CONHECENDO GENTE NOVA
Da praia pulei para uma festa num barco com bebidas e comidas liberadas, uma boat trip da Festa TRIP, que rolou na Marina da Glória (RJ). Eu era o único sozinho entre dezenas de grupos inseparáveis que riam, tiravam fotos e comentavam sobre tudo, como bons amigos fazem. Me senti desencaixado no início, mas coloquei na cabeça que mesmo que eu não conhecesse ninguém nessa festa — o que seria impossível, já que interações sociais acontecem em ambientes sociais — eu teria uma memória só minha, de quando apreciei minha companhia, uma boa cerveja e o mar.


O resultado dessa boat trip fui eu dançando sozinho na pista como se as mais de cem pessoas não estivessem olhando o único garoto de preto rebolando acima do nível do mar. Daí alguém subiu para dançar ao meu lado e, quando vi, estava dançando com um monte de gente que eu não fazia ideia de quem era. Inventamos coreografias, pegamos bebidas uns para os outros e depois nos adicionamos no Facebook. Quando cansei de dançar e sentei, fui cumprimentado por muita gente dizendo que eu tinha arrasado por dançar ali na cara e coragem, e várias conversas nasceram com todo tipo de ser humano.


Minha intenção ao subir na pista de dança não era chamar atenção. Era fazer valer o dinheiro que eu tinha pago e o tempo que passei esperando a festa que meus amigos dispensaram. Sendo sincero comigo e aproveitando o gosto maravilhoso dos DJs, conheci pessoas na mesma sintonia. Com eles ali ou não, eu não me sentia sozinho. Eu me sentia dono de mim, da minha capacidade de escolher a felicidade em vez de reclamar, emancipado da "solidariedade" de meus amigos com gostos diferentes de aceitarem se divertir comigo.

CONCLUSÃO
Não tem companhia para o show da banda que você ama e é longe? Não tem parceiros de crime para tomar uma garrafa de vodka caminhando à noite na rua ou sentado num bar? Se sentiria um alien se fosse para a praia sozinho pegar sol? Ninguém ao seu redor gosta de nada que você adora? Reúna um pouco de coragem e se mexa. Esteja preparado para passar o dia inteiro só e se abra para que novas pessoas apareçam — se não aparecerem, você não vai perder nada, pois você é suficiente! Crie as regras da sua aventura e aventure-se!

Só conhecerá gente parecida se frequentar locais que são parecidos com você — e mesmo assim você pode se surpreender com a pluralidade das pessoas que gostam de várias coisas em vez de se limitarem a um único gosto, posição em tribo ou investida política. Abaixo vou deixar um conselho que publiquei no Facebook. Espero que te inspire do jeito que me inspira toda vez que releio:
Se você tem 15+ anos vou dar um conselho para A VIDA: não limite suas amizades. Eu só ouvia rock, andava de preto, odiava quem ouvia funk e achava pagodeiros um bando de manés. Quando cheguei aos 18+, percebi que conhecer TODO TIPO DE PESSOA é julgá-las por atitudes, não por gostos culturais. Isso se traduz no fato de eu ter 22 anos, não ter UM amigo que curta o verão ou um dia inteiro na praia, e só conheço gente que reclama de tudo: do calor, da preguiça, do tédio e mimimi. Eu era assim. Me limitei a um padrão de amizade e hoje vejo como me tornei pouco plural nesse sentido. Gasto um tempão no Tumblr desejando viver o que aquelas fotos lindas de sol passam, e até pouco tempo isso bastava para mim: fantasiar! Agora que decidi viver, me vejo sem companhia para aventuras que estou curtindo. Meus amigos se limitam às festas dos finais de semana, à noite, e quando volto para casa cheio de histórias pra contar, o que eu ouço é "da próxima vez me chama". Viva mais. FAÇA mais. Não fique condicionado ao "da próxima vez me chama" que quando chamam você não aceita. A vida é curta pra cacete, você deve aproveitar o momento do SEU jeito, mas experimentar e ser menos quadrado também é bom pra caralho. Saia da zona de conforto e corra riscos. Eu amo praias desde sempre, mas nunca tive coragem de levantar, pegar dois ônibus e chegar na areia — preguiça. Quando comecei a fazer isso nesse mês, fiquei viciado: os limites físicos de distância não contam mais. O que importa é o bem-estar do processo, as fotos que tiro e as caronas que pego para que tenha muito material para futuros livros. E faço isso tudo so-zi-nho, da mesma maneira de quando tinha 16 anos e assistia 3 filmes no cinema sem companhia. Expanda seus horizontes. Tenha amigos para tudo — e filtre-os muito bem. Saber seus limites é uma coisa. Se limitar é outra.
Um brinde a você e à vida que escolheu viver!
*Conheci as pessoas nas fotos na própria festa — e não parece, né?

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