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Invisibilidade social: você se sente invisível?

Invisibilidade social: você se sente invisível?

Nunca fui invisível. Sou o cara que todo mundo olha quando aparece. Não digo num discurso vaidoso, bem pelo contrário: por ser visto o tempo todo, procurei maneiras de me esconder. Essa exposição gerou ansiedade social e um consumo energético absurdo para manter comunicação com quem se aproxima — porque odeio deixar alguém se sentindo excluído. É no momento em que preciso usar mais paciência para aguentar o excesso de atenção que me sinto invisível, pois o Enrique de verdade ninguém viu — nem está interessado em ver.

O que é invisibilidade social?

Quando você ignora — consciente ou inconscientemente — certos grupos ou indivíduos, julgando-os por situação econômica, comportamental, sexual e afins, eles se tornam invisíveis socialmente, desprezados por um "privilegiado" que se sente superior. É o caso clássico de cagar para mendigos ou crianças pedindo dinheiro a ponto de se tornarem criaturas "dispensáveis", perdendo o peso emocional de serem humanos para nós, que as tratamos como "coisas".

Outro lado da invisibilidade social

Saindo do extremo social de invisibilidade, existe aquela em que você se sente completamente à parte do mundo, isolado numa ilha onde ninguém se parece com você. Não há identificação com o que a maioria aprecia e você se vê sem tribo, como falei no artigo "Quero achar minha tribo" e no vídeo "Cadê minha tribo?". Essa separação de sua bolha da bolha social comum acontece de maneira sutil, dolorosa e angustiante, pois você parece perceber essa ponte se tornando cada vez maior entre quem você é e onde "deveria" estar na sociedade, enquanto as pessoas não parecem notar — a não ser que seja para criticar alguma de suas características, como sua timidez que leva ao silêncio, sexualidade, peculiaridade física etc.

Como se tornar visível?

A invisibilidade nem sempre é opção. Quando há afastamento do mundo social, que normalmente começa na infância e chega na vida adulta solidificada, a única maneira de se tornar visível é jogando o "Jogo da Vida": vestir uma máscara social que se encaixe dentro dos padrões do que é aceitável para gerar conexões com outros seres humanos. É o que faço desde pequeno, crio máscaras para lidar com meus dois opostos que precisam se equilibrar para que eu não tente suicídio de novo — falei disso no artigo "Tentei suicídio e aprendi 20 lições sobre viver". Entendemos por se tornar visível "normalizarmos" o comportamento para que outras pessoas nos identifiquem como "iguais".

Máscaras x Falsidade

Quando falamos de máscaras, nos defendemos com "não gosto delas, prefiro ser quem sou e o mundo que se foda". O espírito é esse, mas nem toda máscara que criamos são falsas. Máscaras são pequenas alterações ou ocultações de nossa personalidade para participar de ou gerar situações necessárias para o convívio humano. Você pode ser introspectivo e só falar quando necessário, mas no trabalho você será obrigado a conversar com outras pessoas da melhor maneira possível, por exemplo. Usar as máscaras vai depender da necessidade de sobrevivência (trabalhar, estudar, lidar com família etc) ou do desejo de não ser invisível, onde precisará lutar contra padrões enraizados depois de tantos anos — o que pode ser feito com ajuda de um psicólogo ou sozinho, com auto-observação.

Comece devagar

Se ser invisível  magoa e você acha que precisa de amigos ou sair um pouco da situação em que o mundo te jogou e você resolveu ficar, comece sem pressa. Acesse grupos na internet que falem de um assunto que você gosta — conheça o "Clube dos Discípulos de Peter Pan" no Facebook — e converse descompromissadamente, pois pessoas novas surgem dessa forma. Se quiser que isso aconteça no mundo físico, leia meu artigo "Como sair sozinho e conhecer gente nova", que vai te dar exemplos que eu uso e funcionam.

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